Informações sobre Contabilidade, Atuária, Economia e Finanças.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Alguns Países são "Mais Criativos" na Contabilidade, diz FMI




O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, evitou tecer comentários a respeito das manobras contábeis que o governo brasileiro apresentou nos últimos anos para atingir os resultados fiscais, mas admitiu, em relação à contabilidade: alguns países são "mais criativos" do que os outros.

Strauss-Kahn está no Brasil nesta quinta-feira, quando se reuniu com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o ministro Guido Mantega (Fazenda) e tem encontro marcado com a presidente Dilma Rousseff.

Embora não tenha se referido nominalmente ao Brasil, ele afirmou, questionado sobre a chamada "contabilidade criativa" do governo brasileiro, que cada país tem seu jeito de apresentar os resultados das contas públicas.

"Temos de cavar mais fundo para achar o panorama real e fazer uma comparação. Levamos tudo em consideração. Quando fazemos nossas avaliações, temos um departamento que normaliza esses dados dos diversos países", explicou.

Ele também fez questão de afirmar que, quando o Fundo liberou, no fim de janeiro, um documento em que apontava uma deterioração da situação fiscal do país, a análise foi feita a partir dos sinais da economia para este ano.

"Um dos problemas quando se faz uma projeção é que só levamos em conta o que ocorreu, ainda não sabíamos quais seriam as medidas do governo. E o Brasil já tomou medidas que consideramos estar no rumo certo", afirmou, referindo-se ao corte de R$ 50 bilhões no Orçamento para o ano.

Na ocasião, o ministro da Fazenda havia afirmado que o relatório trazia "bobagens" sobre o país e deveria ter sido escrito por um dos "velhos ortodoxos" do FMI quando o diretor-geral estava de férias. Strauss-Kahn não rebateu as críticas e afirmou que, em face do corte no Orçamento, a próxima projeção já será mais em linha com as expectativas do governo brasileiro.

Na exposição inaugural, o diretor-gerente do FMI afirmou que discutiu com Mantega o panorama global da economia, com o forte crescimento das nações em desenvolvimento, a ainda tímida recuperação norte-americana e as preocupações com a Europa.

Também foi tema da conversa a forte valorização do petróleo em decorrência dos conflitos em diversos países árabes, que já derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito e ameaçam a Líbia com uma guerra civil.

SUPERAQUECIMENTO

Em relação ao Brasil, Strauss-Kahn afirmou que existe o risco de um superaquecimento da economia, que cresceu 7,5% no ano passado. Ele afirmou que o governo deve seguir adotando medidas para refrear esse forte crescimento, garantindo uma expansão sustentável da economia para o longo prazo. "E o crescimento também tem de ser inclusivo, como o Brasil está tentando fazer, combatendo as desigualdades", afirmou.

Em relação à forte valorização do real ante o dólar, que prejudica a competitividade dos produtos brasileiros, ele afirmou que é uma situação que em parte reflete o sucesso da economia brasileira, que atrai o capital estrangeiro --tanto o investimento estrangeiro direto quanto o capital mais volátil, no mercado financeiro.

Mesmo assim, ele elogiou a política monetária do Banco Central, apesar de o aumento na taxa básica de juros (Selic), definido nesta quarta-feira pelo BC, que passou de 11,25% ao ano para 11,75% ao ano.

A alta pode favorecer a entrada de capital estrangeiro, pois o investidor de fora sente-se tentado a aplicar no país para obter a alta rentabilidade proporcionada pelos juros internos, mais alta que o externo. "No caso do Brasil ainda há o fato de que a poupança interna é baixa. Fosse mais alta, os juros poderiam ser menores", apontou.

Fonte: Folha de São Paulo.

0 comentários:

Postar um comentário

Indicadores de Câmbio

Indicadores de Juros

Indicadores de Inflação

Siga este Blog

Número de Visitas

Indique Este Blog

CLIQUE AQUI!
Orleans Silva Martins. Tecnologia do Blogger.