Informações sobre Contabilidade, Atuária, Economia e Finanças.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Quem é Nosso "Mercado"?

Quem é nosso "mercado"?

Sua carteira, clube ou fundo tem batido o "mercado"? Sim? Que bom!

Mas será que o parâmetro de comparação que temos usado é, de fato, adequado? O "mercado" se limita ao #Ibovespa? O "mercado" é 6 (seis) empresas (52,16%)?

Qual é o risco da empresa?

O famoso Beta é estimado com base na co/variância dos retornos do ativo em relação ao #IBOV. O custo do capital do acionista é estimado sofre influência do #IBOV. A performance que você paga sobre o desempenho do seu fundo de ações (FIA), normalmente também é sobre o #IBOV.

Mas quem é o "mercado"?

Na carteira atual (13/09/2019), 52,16% são 6 (seis) empresas! Ou seja, Petro/Vale/Ambev ou as financeiras têm um domínio sobre o #IBOV. Se um desses lados sobe e o outro desce, o mercado anda de lado. Se ambos vão na mesma direção, é up ou down!

O setor mais influente no #IBOV é o financeiro (35,74%). Se o governo cogita aumentar um imposto sobre esse setor (1/3 da bolsa), o "mercado" desaba. Mesmo que isso favoreça outros setores (ex: para investimento em infraestrutura). Faz sentido?

Em um mercado emergente/volátil como o brasileiro, #Ibovespa pode "justificar" muito (ou pouco) em um modelo de valuation. Seja na #Academia ou no #Mercado isso merece atenção. Há muita coisa fora do #IBOV que também é mercado (e tem liquidez).

Nos EUA, por exemplo, o S&P500 tem 500 cias. A "foto" do mercado é melhor. No Brasil, uma alternativa mais abrangente é o #IBRX100. No fim do dia, o importante é entender que essas medidas são "aproximações" sujeitas a vieses. Use o bom senso!

A discussão continua no Twitter, acompanha lá... @orleansmartins

Continue lendo >>

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Gerenciamento de Resultados, ou de Valor?

Será que uma simples provisão contábil teria o poder de afetar o Valor de uma empresa?

E no caso dos bancos, que dependem de crédito para rentabilizar suas operações em ambientes de maior/menor risco, as decisões discricionárias dos gestores podem afetar o Valor?

Isto pode ser chamado de Gerenciamento de Resultados (ou Earnings Management).

Eu tenho estudado esse fenômeno na academia há alguns anos, e recente o caso de uma das empresas que eu invisto me chamou a atenção.

Ontem, dia 05/08/2019, o Banco ABC divulgou seu resultado do trimestre 2T19 e reportou um Lucro Líquido de R$ 125,2 milhões, montante acima das expectativas de uma famosa casa de análise, que destacou em seu relatório pós-resultado que o fraco desempenho das Receitas de Intermediação Financeira do banco havia sido compensado pela redução da Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa (PCLD ou PDD). Será? Como assim?

O Banco ABC é reconhecido como um banco médio com resultados mais previsíveis, poucas surpresas, com spread fortemente ligado à Selic. Como seu principal negócio é crédito, em ambiente de maior incerteza sua PDD tende a aumentar, com a redução do risco, há menor PDD.

Bem, é fato que o ambiente atualmente no Brasil tem se tornado mais favorável aos negócios. O Bacen acabou de reduzir a taxa Selic de 6,5% a.a. para 6,0% a.a. Por um lado, isso pressiona as receitas do Banco ABC, que é tipicamente um banco de crédito para empresas, mas, por outro lado, favorece o ambiente de negócios ao baratear o crédito para a produção de bens e serviços na economia. Mas a PDD não está relacionada apenas ao risco atual, a partir desta redução de taxa, ela reflete o risco de inadimplência enfrentado pelo banco entre abril e junho de 2019, antes dessa mudança na economia, e antes da aprovação da Reforma da Previdência.

Como essa provisão depende da estimativas contábeis, sujeitas a gerenciamento, fiquei curioso em analisá-las. Olhando para o histórico do banco nos últimos 22 trimestres (Gráfico 1), é possível ver algum tipo de "padrão" de maiores provisões no início dos anos.


Para melhorar o olhar, calculei as médias percentuais por cada trimestre, seja PDD/Receita ou PDD/Lucro. No Gráfico 2 coloco até uma linha de tendência. Nos dois casos, vemos uma tendência de maior PDD nos primeiros trimestres, reduzindo-se nos últimos. Especialmente quando a ponderação é feita pela Receita, que é menos passível de manipulação.


Olhando ano-a-ano, o "efeito gerenciamento" some. Mas dentro dos anos, tal efeito parece presente. Portanto, decisões de investimento ou Valuation com base em dados trimestrais necessitam de cuidadosa análise, nesse sentido, pois PDD afeta os fluxos de caixa esperados.

Não é meu objetivo afirmar se há, de fato, manipulação de resultados ou não nessa empresa. Meu único objetivo aqui é lançar um olhar didático sobre o fenômeno, que se repete em outras empresas.

Os famosos "accruals" (acumulações) estão aí.

Isso é Contabilidade!

Continue lendo >>

domingo, 5 de maio de 2019

Doutorado Acadêmico em Inovação = Oportunidade!


Aderindo a um programa de inovação, a Universidade Federal da Paraíba passou a oferecer vagas para a realização do curso de doutorado em suas principais áreas, com foco em inovação tecnológica.

A ideia principal do programa é a realização do curso de doutorado junto à uma empresa parceira, na qual se deve desenvolver uma tecnologia para solução de um problema da empresa (extensível a demais situações).

Nesta seleção são oferecidas 7 vagas, sobre as quais detalho 2, por se tratarem de programas de pós-graduação nos quais eu sou docente: Administração e Contabilidade.

ADMINISTRAÇÃO

É oferecida 1 (uma) vaga, em parceria com a "Rosa Neto Tributos". A meta apontada é: "Desenvolver ferramentas inteligentes de gerenciamento fiscal e contábil, através da introdução gradativa de novas tecnologias, como BIG DATA e Inteligência Artificial, na atividade do escritório Rosa Neto (consultoria e planejamento tributário), priorizando plataformas de baixo custo. Para atendimento do objetivo final, será necessário realizar entregas parciais, as quais serão testadas em produção nos projetos do Escritório, gerando dados para análise de gargalos ainda não conhecidos e planejamento de integração com outras ferramentas e processos."

CONTABILIDADE

É oferecida 1 (uma) vaga, em parceria com a "Companhia de Água e Esgotos da Paraíba – CAGEPA". A meta apontada é: "Desenvolvimento tecnológico que gere novo processo que possa
avalizar minuciosamente os custos de todos os serviços prestados pela CAGEPA, a fim de melhor adequá-los às atuais práticas de mercado, tornando-os com valores mais justos e evitando cobranças abusivas ou cobranças que tragam prejuízos à Companhia."

INSCRIÇÕES

Serão realizadas pelo Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (SIGAA), no período de 18 de junho de 2019 até as 23:59h do dia 25 de junho de 2019, no endereço eletrônico: https://sigaa.ufpb.br/sigaa/public/processo_seletivo/lista.jsf?aba=pprocesso&nivel=S.

Mais informações em: http://www.cear.ufpb.br/arquivos/editais/EDITAL_02_DAI_DE_SELE%C3%87%C3%83O_2019-_PRPGVFEM.pdf.

Continue lendo >>

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Edição 2019 do Meu Mestrado e Doutorado em Contabilidade Pública


Futuros mestrandos e doutorandos podem aprimorar e refletir suas propostas de projeto de pesquisa antes de iniciarem o processo seletivo. Essa é a ideia da iniciativa Meu Mestrado e Doutorado (MMD) em Contabilidade Pública.

Em sua 3a edição, a iniciativa já ajudou candidatos a entrarem em programas de pós-graduação pelo país, dando a chance de refletirem suas propostas de pesquisa.

Essa é uma iniciativa da Série de eventos 'Young Reserchers in Public Sector Accounting', para desenvolvimento de jovens pesquisadores no tema, para que tenha contato com o que tem sido pesquisado na área, teorias e métodos. Se você é um orientador no tema, está convidado a se juntar na avaliação dos projetos. Entre em contato com a coordenação. Se você é um candidato a mestrado e doutorado, veja as condições para submissão da proposta e venha discuti-la conosco. Os debates acontecem totalmente online, participantes de todo país podem apresentar suas propostas.

Participar da iniciativa não garante vaga em qualquer programa de pós-graduação, e nem orientador. Vagas e orientadores devem ser vistos no programa de pós-graduação de seu interesse.

Submissões: de 10/01/19 a 30/04/2019
Confirmação dos selecionados e do programa: até 30/05/2019
Debate dos projetos (online): 04 e 05/06/2019 das 10h às 13h

Link para inscrições e submissão: https://www.even3.com.br/MMD2019

Mais detalhes de submissão em: https://bit.ly/2ABH4AZ

Modelo do projeto em: https://bit.ly/2VCiOre

Continue lendo >>

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Amigo Secreto Blogs de Contabilidade 2018


E vamos para mais uma edição do amigos secreto mais legal da história da contabilidade brasileira!

Com sua primeira edição em 2013, alguns amigos que têm em comum o compartilhamento do conhecimento contábil por meio dos blogs se uniram para promover esse evento fenomenal. E tive a satisfação de já fazer parte daquela primeira edição.

Neste ano, o AMIGO SECRETO DOS BLOGS DE CONTABILIDADE mais uma vez promoveu muita emoção! Somos 11 participantes, de 9 diferentes blogs, listados a seguir. Acompanhem-os!

Alexandre Alcantara: Análise de Balanço
César Tibúrcio: Contabilidade Financeira
Claudia Cruz: Ideias Contábeis
Isabel Sales: Contabilidade Financeira
Felipe Pontes: Contabilidade e Métodos Quantitativos
Orleans Martins: Informação Contábil
Pedro Correia: Contabilidade Financeira
Polyana Silva: Histórias Contábeis
Roberto Sousa Lima: Panorama Público
Sandro Vieira Soares: Acervo Contábil
Vladmir Ferreira Almeida: Vladmir F Almeida

Após o sorteio, deu-se a ansiedade do envio e do recebimentos dos presentes, na busca por descobrir que eram os amigos secretos.

Eu fui o amigo secreto do Pedro (Contabilidade Financeira) pelo segundo ano seguido! Encaminhei seu presente direto à Brasília. A loja me fez o desfavor de não entregar o cartão-mensagem que enviei, o que aumentou o mistério! Só me revelei ao Pedro como seu amigo secreto em seguida, no grupo do Whatsapp. Espero que tenha gostado do presente!

Daí me restou aguardar ansiosamente o meu presente. Dicas e suspeitas surgiam a todo momento. Até que uma grande amiga falou no grupo que havia tirado "um pessoa que gostava de futebol, de uma cidade que ela gostava e havia estado há pouco, e com quem ela tinha conversado este ano, pessoalmente". Ali eu tive certeza, era eu! (pretensioso, hehe).

Hoje, de maneira mais surpreendente, uma amiga em comum me entrega um presente... e uma carta! Que estranho!

Eis que era o presente do meu amigo, digo, GRANDE AMIGA SECRETA! Oxe, Claudinha (Ideias Contábeis), pae, baiana porreta! E com uma cartinha muito meiga, entregue pela amiga Adriana Vasconcelos (coincidência, quase tivemos uma sociedade, nós três)! Adorei, obrigado minha amiga. Uma pessoa 1000% que, como dizem aqui pelo Nordeste, "oxe, gosto de graça!" E o presente?


Campeão por natureza! Quem tem mais tem 10!

Obrigado meus amigos! E que venha 2019!

Ótimo final de ano a todos, e um 2019 repleto de saúde, felicidade e realizações!!!

Continue lendo >>

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O famoso “Dividend Yield” no Mercado de Ações



O que são esses estranhos “dividend yield” e “yield on cost”?

Um significado mais literal de “yield” é rendimento, lucro. Logo, dividend yield é o que podemos entender por “rendimento dos dividendos”. Uma forma conservadora de se realizar um investimento em ações é optar por empresas que tenham um bom dividend yield, pois o investidor já “garante” um rendimento mínimo de seu investimento, além de poder ganhar com a valorização da ação (é como se você tivesse um título que lhe rende juros, e ainda valoriza com o passar do tempo, ganha-se nas duas pontas). E por que essa é uma opção conservadora, ou segura? Por que em período de mercado em baixa, como agora, não importa quanto a ação desvaloriza, pois, seu rendimento com dividendos é certo (e normalmente crescente).

Já o yield on cost é a taxa anual média de rendimento dos dividendos. Matematicamente, é o total de dividendos recebidos no ano, dividido pelo custo médio das ações adquiridas (quanto pagamos, em média, pelas ações que temos). Essa taxa é comparável, por exemplo, às taxas anuais da poupança ou dos títulos públicos. E veremos que em muitos casos ela é superior, e nós ainda temos a oportunidade de ganhar bastante na outra ponta (com a valorização de nossas ações).

Essas taxas são muito interessantes, mas temos que ter em mente que nem todas as empresas distribuem a maior parte de seus lucros como dividendos, algumas retém a maior parte do lucro para reinvestimento. E isso sustenta seu crescimento e, consequentemente, maior valorização. Por essa razão, não se deve tomar uma decisão de investimento baseando-se apenas no yield. Mas sem sombra de dúvidas ele é um bom indicador e também deve ser utilizado (além de outros) para diversificar nossos investimentos, garantir a rentabilidade de nossa carteira, e reduzir nossos riscos.

Tomando por base o preço de algumas ações no final de junho de 2018, podemos verificar que elas apresentam excelentes dividend yields. Considerando o dividendo total esperado em 2018 e a cotação da ação em 29 de junho, temos: CARD3 (6,80%), EGIE3 (8,47%), ITSA4 (8,82%), IRBR3 (4,76%), MPLU3 (8,58%), PETR4 (4,19%), SAPR11 (8,60%), SMLE3 (8,25%), SUZB3 (1,30%), UNIP6 (15,00%), VALE3 (1,05%) e WEGE3 (2,03%) [fonte: Thonsom Reuters].

Apenas para fins de comparação, como benchmarkings, para 2018 as rentabilidades esperadas (e aproximadas) da poupança é 4,55%, do CDI é 6,39% e do Tesouro Selic é 6,50%.

No setor financeiro, é bastante comum o pagamento de dividendos todos os trimestres. Este setor também é um dos setores mais voláteis às entradas e saídas de investidores na bolsa brasileira. Por isso, muitas vezes a queda no preço da ação é explicada pelas saídas de investidores, e não pela piora dos fundamentos das empresas (como agora).

No Brasil, mais da metade dos investidores são estrangeiros, e quando as incertezas políticas por aqui aumentam, eles tendem a sair. E o setor financeiro atrai muitos desses investidores, devido à sua alta rentabilidade  e às barreiras de entrada de novas empresas aqui no Brasil. Isso explica boa parte da redução dos preços na bolsa brasileira nos últimos meses. Porém, após este período de eleições e de greves (como a dos caminhoneiros), acredito que eles voltarão (como já voltaram em outros períodos) e os preços voltarão a subir, valorizando as ações novamente.

Enquanto isso não acontece, manter a calma e continuar a comprar boas empresas a preços descontados é uma excelente estratégia para obter bons dividend yields! Quando a bolsa subir, ainda se pode ganhar com a valorização das ações, também.

Orleans Martins

Continue lendo >>

Indicadores de Câmbio

Indicadores de Juros

Indicadores de Inflação

Siga este Blog

Número de Visitas

Indique Este Blog

CLIQUE AQUI!
Orleans Silva Martins. Tecnologia do Blogger.