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quinta-feira, 7 de março de 2024

Aprenda a Não Cair na Armadilha dos Dividendos

Você sabe o que é Armadilha de Dividendos?

Já ouviu falar nela?

Neste vídeo eu falo um pouco da estratégia de investimento por dividendos e explico o que é a chamada "Armadilha dos Dividendos! e como o investidor pode evitar de cair nessa armadilha.

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Assimetria de Informações no Mercado de Capitais - Parte 2

Você sabe o que é assimetria de informação?

Sabe como ela afeta o mercado de capitais?

É um pouco do que falo nesta entrevista (Parte 2).

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quinta-feira, 2 de abril de 2020

Risco e Custo de Capital

Risco e Retorno? Taxa livre de risco? Custo de capital?

Estes são alguns dos temas tratados nessa aula, no contexto de avaliação de empresas.


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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Quem é Nosso "Mercado"?

Quem é nosso "mercado"?

Sua carteira, clube ou fundo tem batido o "mercado"? Sim? Que bom!

Mas será que o parâmetro de comparação que temos usado é, de fato, adequado? O "mercado" se limita ao #Ibovespa? O "mercado" é 6 (seis) empresas (52,16%)?

Qual é o risco da empresa?

O famoso Beta é estimado com base na co/variância dos retornos do ativo em relação ao #IBOV. O custo do capital do acionista é estimado sofre influência do #IBOV. A performance que você paga sobre o desempenho do seu fundo de ações (FIA), normalmente também é sobre o #IBOV.

Mas quem é o "mercado"?

Na carteira atual (13/09/2019), 52,16% são 6 (seis) empresas! Ou seja, Petro/Vale/Ambev ou as financeiras têm um domínio sobre o #IBOV. Se um desses lados sobe e o outro desce, o mercado anda de lado. Se ambos vão na mesma direção, é up ou down!

O setor mais influente no #IBOV é o financeiro (35,74%). Se o governo cogita aumentar um imposto sobre esse setor (1/3 da bolsa), o "mercado" desaba. Mesmo que isso favoreça outros setores (ex: para investimento em infraestrutura). Faz sentido?

Em um mercado emergente/volátil como o brasileiro, #Ibovespa pode "justificar" muito (ou pouco) em um modelo de valuation. Seja na #Academia ou no #Mercado isso merece atenção. Há muita coisa fora do #IBOV que também é mercado (e tem liquidez).

Nos EUA, por exemplo, o S&P500 tem 500 cias. A "foto" do mercado é melhor. No Brasil, uma alternativa mais abrangente é o #IBRX100. No fim do dia, o importante é entender que essas medidas são "aproximações" sujeitas a vieses. Use o bom senso!

A discussão continua no Twitter, acompanha lá... @orleansmartins

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Incerteza Política e Prêmio de Risco no Brasil


Incerteza? Risco? A "tão famosa" política brasileira teria o poder de influenciar o retorno exigido pelos investidores no mercado de capitais?

Essas foram algumas inquietações que motivaram a Talieh, o Gustavo e eu a realizarem um estudo envolvendo essas temáticas no Brasil. Durante a disciplina de Avaliação de Empresas que eu ministrei no curso de Doutorado em Administração do PPGA/UFPB, iniciamos essa discussão que originou um paper sobre o tema, que foi apresentado no XX Seminário de Administração da Universidade de São Paulo (SemeAd) e, em seguida, publicado no Journal of Financial Innovation.

É sabido que o Brasil apresenta grande incerteza política, com picos de incerteza em diversos momentos em nossa história. Se analisarmos o período de maior estabilidade econômica, após o plano Real, podemos lembrar, rapidamente, de crises no final da década de 1990, em 2002 com a sucessão presidencial, novamente em 2014 e em 2016 com o impeachment de um presidente da república.

A partir disso, fizemos uma pesquisa com o objetivo de analisar como a incerteza política afetava o prêmio pelo risco no mercado brasileiro.

Abaixo apresento um breve resumo sobre o trabalho, e o link para acesso ao artigo completo, já disponível no site do Journal of Financial Innovation em seu Early View.


Artigo: Political Uncertainty and Risk Premium in the Brazilian Stock Market

Autores: Talieh Shaikhzadeh Vahdat Ferreira, Gustavo Correia Xavier e Orleans Silva Martins

Abstract

Objetivo: Analisar como a incerteza política afeta o prêmio de risco no mercado brasileiro de capitais entre janeiro de 1996 e dezembro de 2016.

Método: Este estudo adotou o modelo econométrico proposto por Pastor e Veronesi (2013) para analisar cinco abordagens e medir o prêmio de risco no Brasil, país onde é difícil estimar um prêmio de risco histórico de forma confiável devido às suas séries históricas curtas e voláteis.

Resultados: O estudo mostra uma relação positiva e estatisticamente significativa entre incerteza política e prêmio de risco. Além disso, os resultados sugerem que o mercado brasileiro e o americano apresentam percepções diferentes sobre o efeito da incerteza política sobre o prêmio de risco.

Originalidade: A incerteza política tem recebido, recentemente, uma atenção crescente da mídia e dos acadêmicos, especialmente no Brasil. No entanto, contribuímos para este debate investigando empiricamente o efeito da incerteza política em cinco diferentes abordagens de estimativas de prêmio de risco em mercados não maduros, como o brasileiro.

Texto final da pesquisa, publicada no journal, está disponível AQUI (em inglês).

Uma versão preliminar do artigo, apresentada no SemeAd, está disponível AQUI.

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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Disclosure na Internet, Risco e Retorno em Empresas na América-Latina


No segundo número de 2017 da Revista de Administração Mackenzie (RAM), a Talieh Ferreira e Eu tivemos a oportunidade de publicar o artigo fruto de sua dissertação de mestrado, sob minha orientação, cujo título apresento abaixo.


ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DISCLOSURE NA INTERNET, RISCO E RETORNO EM COMPANHIAS LATINO-AMERICANAS.

Talieh Shaikhzadeh Vahdat Ferreira
Orleans Silva Martins

O trabalho faz uma análise nos principais mercados de capitais da América Latina buscando relacionar o volume de informações disponibilizadas pelas empresas em seus sites, com seus riscos e retornos no mercado. Abaixo detalho as principais informações da pesquisa, e disponibilizo o link para acesso gratuito ao artigo completo.

Objetivo: 
Este estudo buscou analisar as relações entre a disclosure de informações divulgadas na internet, o risco de informação e o retorno das empresas na América Latina.

Originalidade/lacuna/relevância/implicações:
Este estudo se diferencia dos anteriores já que preenche uma lacuna na literatura ao relacionar uma medida de disclosure na internet com o risco e o retorno das empresas na América Latina, uma vez que nessa literatura só é possível identificar estudos que analisam tais variáveis de forma independente ou com relação a outros fatores.

Principais aspectos metodológicos:
A amostra contou com 758 empresas listadas nas quatro principais bolsas latino-americanas (Argentina, Chile, Brasil e México) que tiveram seu nível de disclosure quantificado e verificadas as relações com o risco e o retorno por meio de regressões Tobit.

Síntese dos principais resultados:
Os resultados evidenciam que é possível observar que a emissão de ADR, o tamanho e a liquidez afetam as relações entre disclosure, risco e retorno. Ainda, que a disclosure na região tem avançado ao longo dos anos, com destaque para o Brasil. Porém, não foram identificadas diferenças significantes entre os países, ao ponto de impactar as relações com o risco e o retorno das empresas.

Principais considerações/conclusões:
Suas principais contribuições são a ampliação das evidências sobre essas variáveis, relacionando-as entre si em mercados emergentes.

Keywords: Disclosure; Índice; Informação; Mercado de capitais; América Latina.

Referência:
FERREIRA, TALIEH SHAIKHZADEH VAHDAT; MARTINS, ORLEANS SILVA. ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DISCLOSURE NA INTERNET, RISCO E RETORNO EM COMPANHIAS LATINO-AMERICANAS. Rev. Adm. Mackenzie [online]. 2017, vol.18, n.2, pp.154-183. ISSN 1678-6971.
http://dx.doi.org/10.1590/1678-69712016/administracao.v18n2p154-183.

Disponível AQUI.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Rating de Crédito e Governança Corporativa no Brasil


Com o recente corte da nota de crédito (rating) do Brasil (e de empresas brasileiras) pela Standard and Poor's, veio à tona do cidadão brasileiro uma enxurrada de discussões acerca das agências de avaliação de risco e de ratings de empresas e países.

Tempestivamente, realizei há alguns anos um estudo com um aluno do mestrado em Administração sobre a relação desses ratings de crédito e a governança corporativa no Brasil, o qual foi recentemente publicado no último número da Revista de Gestão da USP (REGE). Abaixo exponho seu resumo e endereço para o artigo completo.

RATING DE CRÉDITO, GOVERNANÇA CORPORATIVA E DESEMPENHO DAS EMPRESAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA

Lucyan Hendyo Max Pereira
Orleans Silva Martins

RESUMO
Este trabalho buscou analisar os efeitos das práticas de governança corporativa sobre o rating de crédito atribuído pela Moody’s às empresas abertas, não financeiras, com ações negociadas na BM&FBOVESPA no período de 2008 a 2012. A análise se apoiou nos fundamentos teóricos abordados pela Teoria da Agência (JENSEN; MECKLING, 1976), sobretudo no que diz respeito aos mecanismos de transparência e qualidade dos ativos que, como consequência, podem afetar os indicadores de desempenho e credibilidade das firmas (LARKER; TAYAN, 2011; BAKER; ANDERSON, 2010). Para atingir os objetivos de pesquisa foram utilizadas regressões do tipo Probit ordenado, tendo como variável dependente o rating de crédito das empresas e como variáveis independentes seus indicadores de governança corporativa e desempenho. Dentre os principais resultados, foi possível observar que houve uma relação positiva e significante do rating de crédito com os níveis de governança corporativa e o retorno sobre o ativo. Adicionalmente, verificou-se relação negativa entre o rating e a alavancagem das firmas. Constatou-se, ademais, que durante o apogeu da crise financeira de 2008 as empresas situadas em níveis mais elevados de governança apresentaram desempenho financeiro superior àquelas situadas em níveis mais baixos. Dentre as principais contribuições do trabalho, destacam-se a ratificação das evidências existentes de que há efeito positivo da governança corporativa sobre os ratings atribuídos pela Moody’s, o que sugere que o nível de governança deve ser considerado nas análises de crédito, bem como as evidências de que melhores níveis de governança repercutiram de maneira positiva no desempenho das empresas durante uma crise financeira.
Palavras-chave: Risco; Gestão; Credibilidade.

Artigo completo: AQUI.

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Previ Prepara Ranking de Governança Corporativa


A Previ está preparando um ranking de governança das empresas investidas, revelou o diretor de Participações do fundo de pensão, Marco Geovanne da Silva. Ele comentou que apenas uma tem o rating AAA no momento, sem citar o nome. [1]

Atualmente, o patrimônio da Previ gira em torno dos R$ 166 bilhões, sendo que em 2012 quase R$ 100 bilhões estavam alocados em renda variável. O fundo tem investimentos em 115 empresas, sendo que o volume de recursos nas companhias participadas atinge em torno de R$ 88 bilhões. No portfólio estão Magazine Luiza, Fibria, Usiminas, Itaúsa, Tupy, Oi, BRF, Weg, Celesc, Ambev, Kepler Weber, Vale e Randon, entre outras. Na Ambev, por exemplo, a participação atual é de R$ 7,2 bilhões; na Kepler Weber, de R$ 114 milhões, e na Tupy de R$ 778 milhões, segundo o diretor.

Silva comentou ainda sobre o interesse do fundo de pensão do Banco do Brasil em participar dos leilões de concessão do governo. "Adoraríamos participar do Galeão, e não querem nos deixar participar por questões de concorrência, o que não faz nenhum sentido", afirmou durante o 14º Congresso Internacional de Governança Corporativa promovido pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Ele considera que a governança corporativa é a melhor forma de garantir o pagamento dos benefícios pelos fundos de pensão, mas isso significa um longo caminho a ser seguido. "É uma estrada longa, tem de haver princípios e fundamentos que norteiem como as pessoas vão atuar. Não se faz governança com visão de curto prazo, é preciso gastar tempo para fazê-la aparecer", disse o executivo.

Para Silva, três tópicos são fundamentais para os fundos de pensão: visão estratégica, monitoramento e remuneração. "A visão estratégica é a da criação sustentável de valor, o monitoramento é em relação às estruturas de governança, ao papel dos conselheiros. Já a remuneração é a questão de não focar o curto prazo. As empresas passam por ciclos, por isso não estamos preocupados com o que vai acontecer no terceiro trimestre, por exemplo", afirmou.

Nesse sentido, o executivo disse ainda que a cultura dos fundos de pensão brasileiros estimula a visão de longo prazo dos seus gestores e das companhias investidas, apesar de o mercado ainda estar maturando. "O mercado de capitais brasileiro ainda está num processo de amadurecimento, mas já apresentou avanços enormes na parte de governança corporativa, transparência e prestação de contas. O setor sofreu demais com as altas taxas de juros durante muito tempo, tanto que os investidores pessoas físicas ainda são acanhados", observou.

O executivo reclamou do fato de alguns considerarem a Previ como governo, e isso influencia na hora de votar nas assembleias das empresas. "Não somos governo, estamos separados do governo e não é justo cassarem nosso direito de votarmos com nossas ações", disse.

[1] O ranking segue o modelo utilizado por algumas agências de risco para classificar empresas e países.

Fonte: Agência Estado.

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Eike Batista Não é o Homem Mais Rico do País



O empresário Eike Batista acaba de perder o posto de homem mais rico do país no ranking da Bloomberg. Eike teria perdido a posição para o empresário Jorge Paulo Lemann, maior acionista da Ambev, na lista das 200 pessoas mais ricas do mundo que deve ser divulgado oficialmente pela Bloomberg amanhã - mas que já foi confirmado pelo site de notícias hoje.

O patrimônio de Eike teria sido reduzido de 34,5 bilhões de dólares, no início do ano, para atuais 18,6 bilhões de dólares, graças à desconfiança dos investidores em relação às empresas X do bilionário brasileiro. As ações da OGX, companhia de óleo e gás do bilionário, despencaram o equivalente a  132% de seus preços atuais, nos últimos doze meses. 

A queda fez com que a fortuna do empresário encolhesse a ponto dele perder a primeira colocação entre os mais endinheirados do país para Lemann, cuja fortuna é estimada pela Bloomberg em 18,9 bilhões de dólares. 

A desconfiança dos investidores com Eike começou em junho, quando sua principal empresa, a OGX, reduziu a estimativa de capacidade de produção do Campo de Tubarão, na Bacia de Campos, de até 20.000 barris por dia para 5.000 barris de óleo.

Em compensação, Lemann e seus dois sócios bilionários, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, viram suas fortunas subirem mais de 50% este ano. Segundo a Bloomberg, o maior ativo de Lemann é sua participação de 10% na companhia, estimada em 14,7 bilhões de dólares.  

PS: Entenda porque aqui

Fonte: Portal Exame.

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Risco Brasil Fica Mais Perto do Risco EUA



O risco do Brasil percebido pelos investidores globais nunca foi tão baixo se comparado ao dos Estados Unidos, considerado referência em segurança financeira. Na semana passada, a diferença entre as medidas de risco dos dois países alcançou o menor nível da história: 0,60 ponto porcentual. Segunda-feira à tarde, estava em 0,62 ponto porcentual.

Esses números foram extraídos das negociações com um derivativo financeiro amplamente negociado no mercado, chamado CDS (Credit Default Swap, em inglês). Esse papel é um tipo de seguro vendido a investidores que querem se proteger de um eventual calote.

Se alguém quer comprar títulos públicos brasileiros e, ao mesmo tempo, se proteger, utiliza o CDS. Ontem, pagava 1,1% ao ano em dólar para este fim. Para se proteger de eventual problema nos EUA, a taxa estava em 0,48% ao ano. O mercado de CDS movimenta trilhões de dólares mundo afora e o do Brasil é um dos mais negociados.

O que ocorre hoje é fruto de três movimentos. "De um lado, espelha a melhora da percepção de solvência do Brasil. De outro, é fruto da enorme liquidez global", explica o economista Dany Rappaport, sócio da InvestPort Consultoria e Gestão de Recursos. "Ou seja, em relação especificamente ao Brasil, há uma razão estrutural e outra conjuntural, que catalisa a estrutural."

Ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s e o ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Alan Greenspan jogaram luz sobre um terceiro fator: uma deterioração na confiança de os EUA honrarem sua dívida. Ninguém está dizendo que a maior economia do mundo vai dar um calote amanhã ou mesmo nos próximos anos. Mas o risco de isso acontecer tem crescido.

Do ponto de vista do Brasil, estruturalmente, as contas públicas apresentaram expressiva melhora nos últimos anos. A relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto (PIB) saiu de 60% em dezembro de 2002 para os atuais 39,9%. Isso significa que a probabilidade de o governo brasileiro não honrar o pagamento dos títulos que emite é muito baixa.

Além disso, a dívida externa foi drasticamente reduzida nos últimos anos em decorrência, principalmente, do acúmulo de reservas internacionais. Atualmente, o País tem um colchão superior a US$ 320 bilhões. Segundo analistas, um montante desses assegura ao investidor uma porta de saída quando - e se - decidir deixar o Brasil.

A melhora da solvência interna e externa foi reconhecida mais uma vez há duas semanas, quando a agência de classificação de risco de crédito Fitch elevou o chamado rating do Brasil. O País está agora em um degrau ainda mais alto na escala que procura medir a capacidade de solvência de um emissor de dívida.

Liquidez. Do ponto de vista conjuntural, o mundo vive situação ímpar, que se caracteriza por enorme injeção de dinheiro no mercado pelos países desenvolvidos. Após o estouro da crise, os bancos centrais dos EUA e da Europa decidiram fazer o que se chama em economia de imprimir dinheiro. Com isso, inundaram o mundo com recursos.

Como o Brasil é visto como um porto seguro - pela solvência e também pelas taxas de crescimento expressivas se comparadas às do resto do planeta -, tornou-se um natural receptor de uma parte dessa liquidez. "Na realidade, a queda do risco Brasil é resultado desse fluxo de capitais para cá", afirmou o economista-chefe do Banco Santander, Maurício Molan.

Em termos práticos, esse cenário significa que governo e empresas brasileiras nunca se financiaram pagando tão pouco. Mesmo quando a farta liquidez começar a secar, a expectativa é de que o País continue bem situado.

"Ainda que as contas públicas não sejam uma maravilha e o governo venha aumentando os gastos ano após ano, nossa situação fiscal é melhor que a da maioria dos países desenvolvidos", afirma um analista que pede anonimato. "Não há hoje risco de solvência no País. A situação fiscal pobre vai ‘apenas’ atrapalhar nosso desenvolvimento."

Fonte: Estadão.

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Aversão a Risco Derrubou Bovespa e Puxou Dólar em Mais de 2%


A terça-feira foi pautada pela aversão ao risco. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em terreno negativo, o dólar teve a maior alta diária desde o fim de junho e os contratos de juros futuros acumularam prêmio.

A fonte da instabilidade voltou a ser Dubai, que tenta renegociar dívidas e teve mais empresas rebaixadas pela Moody´s. Os agentes também reagiram de forma negativa à redução do rating soberano da Grécia, que perdeu a nota A- e agora tem classificação BBB+.

Avessos aos ativos de risco, os agentes correram para o dólar, que subiu forte contra o euro e a libra. E toda a vez que o dólar ganha valor, commodities e ações perdem preço.

Segundo o sócio da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, tal movimentação nos mercado mostra que há um aumento da incerteza com relação à situação global do crédito.

Daoud lembra que ainda existem pelo mundo cerca de US$ 3,5 trilhões dos chamados ativos tóxicos. Por irradiação das massivas injeções de liquidez feitas pelos BCs, esses ativos estão se sustentando.

A questão agora é que o mercado passou a desconfiar que a taxa de juro nos EUA pode subir antes do previsto, o que significa que esses ativos perderão sustentação, voltando a causar estragos.

Dauod lembra que esse temor com a retirada dos estímulos se intensificou com a divulgação dos dados de emprego nos EUA. Pelo segundo mês consecutivo, os números ficaram melhores do que o previsto.

Na Bovespa, os carros-chefe são papéis ligados às commodities; então, não tem como o mercado local escapar da instabilidade externa. Ao final da jornada, o Ibovespa apontava baixa de 1,14%, para encerrar aos 67.728 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 6,17 bilhões.

À parte da instabilidade, as companhias aéreas ganharam valor depois de comentários positivos feitos por analistas. As elétricas também subiram dada à expectativa de aprovação de lei que amplia subsídios para geração.

Entre os ativos acompanhado, o dólar teve o ajuste mais acentuado. A moeda americana teve a maior alta diária em mais de cinco meses contra o real. O preço da divisa saltou 2,14%, para fechar o dia valendo R$ 1,756 na compra e R$ 1,758 na venda. A moeda não subia tanto em um único pregão desde 22 de junho, quanto ganhou 2,58%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar aumentou 1,80%, fechando também a R$ 1,758. O volume negociado caiu 50%, para US$ 158,5 milhões. No interbancário, os negócios dobraram para US$ 2,2 bilhões.

De acordo com o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli, o sinal externo negativo serviu de gatilhos às compras, mas o que explica a puxada de preço é a virada de mão dos estrangeiros no mercado de dólar futuro.

Até o dia 3 de dezembro, a posição líquida estava comprada (aposta pró-dólar) em 10,9 mil contratos. Posição que subiu para 54 mil até o começo do dia de ontem. Segundo Puccinelli, essa virada reflete mais uma zeragem de posições vendidas do que efetivamente um aumento de contratos de compra.

Os contratos de juros futuros também refletiram o menor apetite por ativos de risco e acumularam prêmios na BM & F.

Na agenda do dia, o Índice Geral de Preços -Disponibilidade Interna (IGP-DI) aumentou 0,07% em novembro, abaixo as estimativas que rondavam 0,20%. Um mês antes, fora registrada deflação de 0,04%. No ano, o indicador aponta variação negativa de 1,32%. Em 12 meses, a baixa está em 1,76%.

Segundo o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, o que surpreendeu e desviou o resultado do IGP-DI das projeções foi a deflação nos preços industriais. " Isso mostra que não há preocupação com a inflação em um futuro imediato. "

Olhando para curva futura, Rosa avalia que, embora exista uma grande divergência de opiniões, os vencimentos carregam prêmio de forma exagerada. " Ainda acreditamos em alta de juros apenas no segundo semestre de 2010 e que não precisa de 4 pontos a 6 pontos de ajuste para manter as expectativas de 2011 " , explicou.

O economista ressalva, no entanto, que parte do prêmio que existe no mercado futuro também reflete preocupações com questões fiscais e o fato de 2010 ser um ano eleitoral.

Comentando a agenda da semana, Rosa aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre deve ter crescimento de 2% no comparativo trimestral. Uma performance muito boa que deve ser repetida no último trimestre do ano.

Com tal comportamento, o PIB deve fechar o ano acima de zero, sinalizando crescimento vigoroso em 2010, em torno de 5%. " O grande motor continua sendo a demanda interna aliada aos investimentos. "

Apesar desse quadro, diz Rosa, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 8,75% agora em dezembro e por mais um bom período de tempo. " A autoridade monetária não vai se comprometer com alta de juros no curto prazo. "

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,06 ponto percentual, a 10,42%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,05 ponto, a 11,80%. E janeiro de 2013 projetava 12,44%, alta de 0,02 ponto.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 devolveu 0,01 ponto, a 8,64%. E julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, ganhou 0,05 ponto, a 9,22%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 335.915 contratos, equivalentes a R$ 30,45 bilhões (US$ 17,60 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 174.340 contratos, equivalentes a R$ 15,68 bilhões (US$ 9,06 bilhões).

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