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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Livro "Manual do Investidor Completo"


MANUAL DO INVESTIDOR COMPLETO
Um Guia Prático para Organizar suas Finanças e Investir com Segurança

 

O Manual do Investidor Completo é um guia essencial para quem busca independência financeira, oferecendo uma abordagem prática e acessível para todos, desde iniciantes até investidores que desejam aprimorar seus conhecimentos. O livro orienta o leitor desde a organização das finanças pessoais até a construção de uma carteira diversificada, ajustada ao seu perfil de risco e objetivos financeiros. Trata-se de um recurso indispensável para aqueles que desejam aprender a investir de forma consciente e segura, com base em fundamentos sólidos e exemplos práticos.

Este livro foi concebido após o sucesso de O Investidor em Ações de Dividendos, que reuniu a vasta experiência dos autores como pesquisadores e investidores. Após o lançamento, muitos leitores solicitaram um conteúdo mais introdutório, explicando o ponto de partida para quem deseja começar a investir. Assim, surge o Manual do Investidor Completo, que oferece uma visão abrangente do mercado financeiro e as ferramentas necessárias para que você se torne um investidor bem-sucedido.

Ao longo do livro, você encontrará orientações claras sobre como definir seu perfil de investidor, criar uma reserva de emergência, diversificar seus investimentos e monitorar sua carteira. Além disso, o livro desmistifica os principais mitos sobre o mercado financeiro, ajudando você a tomar decisões mais precisas. A abordagem prática e os exemplos concretos transformarão o leitor em um investidor mais consciente e preparado para os desafios do mercado.

Escrito por dois autores com ampla experiência teórica e prática, o Manual do Investidor Completo combina o melhor da teoria com a prática do mercado. Renomados por sua expertise, os autores trazem uma abordagem realista e aplicável a diferentes perfis de investidores. Esta obra oferece as bases essenciais para qualificar a jornada de qualquer pessoa no mundo dos investimentos, garantindo segurança e sucesso. Seja você um novato ou alguém com experiência, este livro é o recurso definitivo para se tornar um investidor completo.

Conheça já o livro, disponível nos formatos ebooks e físico na Amazon: https://amazon.com.br

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quinta-feira, 7 de março de 2024

Livro: O Investidor em Acões de Dividendos

Você conhece o livro O INVESTIDOR EM AÇÕES DE DIVIDENDOS?

Neste vídeo o pessoal do TC School fez uma resenha do livro. A seguir a chamada:

Já pensou em ter um livro sobre investimentos com as melhores explicações práticas e comprovações científicas para você se tornar um investidor bem sucedido? Agora você tem um! O professor Felipe Pontes, Diretor Educacional do TC, e o professor Orleans Martins, Head do TC Labs, uniram-se para nos prestigiar com essa obra: "O Investidor em Ações de Dividendos".


O Investidor em Ações de Dividendos aproxima teoria e prática com mais de 200 exemplos e casos reais do mercado brasileiro. Baseado na experiência dos autores, o livro destaca-se por sua abordagem totalmente voltada ao cenário nacional, oferecendo um conteúdo prático e didático sobre a estratégia de Dividend Investing focada em ações de empresas sólidas e boas pagadoras de dividendos. Desde os aspectos legais e técnicos dessas ações até a aplicação de técnicas de seleção e valuation de empresas, o leitor encontra um guia completo para investir com segurança e conhecimento.

Esse best-seller da Amazon.com.br já alcançou o 1º lugar em diversas categorias, como “Avaliação da Educação” e “Finanças em Teoria da Educação”, e foi o “nº 1 mais presenteado”. Com uma avaliação média de 4,7 estrelas e mais de 600 avaliações máximas (5 estrelas), é uma leitura indispensável para quem busca se aprofundar nessa estratégia.


Opinião dos Leitores

“Os professores Orleans Martins e Felipe Pontes detalham bem a performance superior das ações de dividendos no livro O Investidor em Ações de Dividendos.” 

– Thiago Nigro (Primo Rico), influenciador e CEO do Grupo PRIMO

“Um livro que só fala de dividendos; para eu entender, eu não sabia o que era um dividendo!” 
– Márvio Lucio (Carioca), humorista e apresentador do Ticaracaticast

"Parabéns pelo excelente trabalho! Um livro que realmente vale a pena e que já estou recomendando para meus alunos. Sucesso!" 
– Eliseu Martins, professor e referência em Contabilidade no Brasil

“Parabéns ao Orleans e ao Felipe pela obra criada! Leitura nacional, de qualidade, mostrando a nossa realidade, e que certamente ajudará muitos investidores. Nota 10!” 
– Zé do Clube do Pai Rico, educador financeiro

O Investidor em Ações de Dividendos será o seu verdadeiro grito de independência!” 
– Pedro Albuquerque, investidor e fundador da TC Investimentos

“Este ouro que fala de investimentos em ações de dividendos.” 
– Josiane Haese, professora e palestrante

“Felipe e Orleans conseguiram reunir nesse livro os principais conceitos e filosofia de um investidor de longo prazo. Livro muito bem escrito e fundamentado.” 
– Vanessa Martins, educadora financeira e fundadora do SaldoInvest

“Este livro é diferente de tudo que você já leu sobre investimentos no Brasil. Que livro, senhoras e senhores, do tipo que você se arrepende de não ter lido antes, dada a quantidade de aprendizado que você ganha.” 
– André Sekunda, professor e pesquisador na área de finanças

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Manipulação de Lucros: Como ela Afeta seus Investimentos em Dividendos

Você sabe o que é manipulação de lucros?

Neste vídeo eu explico o que é manipulação de lucros em empresas listadas e como ela pode afetar seus investimentos em ações que pagam dividendos.

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Aprenda a Não Cair na Armadilha dos Dividendos

Você sabe o que é Armadilha de Dividendos?

Já ouviu falar nela?

Neste vídeo eu falo um pouco da estratégia de investimento por dividendos e explico o que é a chamada "Armadilha dos Dividendos! e como o investidor pode evitar de cair nessa armadilha.

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Ações Pagadoras de Dividendos - Investir na Bolsa

Palestra sobre Ações Pagadoras de Dividendos

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terça-feira, 2 de maio de 2023

Livro O Investidor em Ações de Dividendo é recomendado por Thiago Nigro

Thiago Nigro, o Primo Rico, recomendou nosso livro em seu mais novo curso sobre investimentos.



Para conhecer o livro: 



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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

O Investidor em Ações de Dividendos

 


Saiu nosso livro!


O Investidor em Ações de Dividendos: O Dividend Investing como Estratégia de Investimentos para Criar Riqueza com Empresas que Crescem e Pagam Dividendos

Autores: Orleans Martins & Felipe Pontes 


Este livro foi escrito aproximando a teoria e a prática de investir no mercado de ações, baseado nas largas experiências acadêmica e de mercado dos autores. É um livro único e diferente da média do que existe na literatura nacional até a sua chegada. Isso porque os autores usam uma linguagem clara e direta, com muitos exemplos e casos reais (+200), ligando tudo isso à literatura científica de uma maneira bastante didática.


Ao longo dos vários anos como professores de Contabilidade, Finanças, Governança Corporativa e Avaliação de Empresas (Valuation), os autores observaram que esses conhecimentos, quando bem apresentados, são muito importantes para o investidor que deseja obter sucesso no mercado financeiro. Como sabem disso? Porque há anos eles utilizam o que ensinam para gerir investimentos no mercado de ações, seja como investidores individuais ou como gestores de Clube de Investimentos.


Este livro apresenta uma série de aplicações e análises de empresas reais, utilizando dados também reais. A aplicação das técnicas estudadas na academia é apresentada no mundo real, com o diferencial de serem detalhadas as dificuldades que habitualmente são encontradas nas análises de empresas e na formação de carteiras de investimentos vencedora. Tudo isso com fundamento na literatura científica, que é uma grande aliada.


Nesse contexto, o DIVIDEND INVESTING é apresentado como uma estratégia de investimentos focada em ações de boas empresas pagadoras de dividendos. Essa é uma estratégia que se apresenta como intermediária às famosas estratégias de VALUE INVESTING (investimento em valor) e de GROWTH INVESTING (investimento em crescimento). O DIVIDEND INVESTING não privilegia apenas empresas de valor, “descontadas” ou “baratas”, mas também aquelas com potencial de crescimento. Este livro faz a sua apresentação, contando as históricas dos dividendos e dos principais investidores bilionários que criaram riqueza com eles no Brasil, demonstrando o passo-a-passo dos processos de seleção, análise e valuation de boas empresas pagadoras de dividendos.


Link para acesso à amostra grátis: https://amzn.to/3lTQgbz


Hoje o e-Book custa menos que um almoço (R$ 24,99). Também haverá uma versão física do livro que estará disponível a partir de janeiro de 2022.


Boa leitura e nos mande seu feedback, seja por mensagem ou em avaliação na Amazon!

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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Valuation - Empresas Jovens e com Capital Fechado

Como devemos tratar empresas jovens (startups) e de capital fechado em um valuation?


Esses tipos de empresas possuem características específicas que tornam seus processos de avaliação mais desafiadores.

Nesta aula discutimos algumas dessas características e como tratar alternativamente esses pontos.

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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Valuation - Taxa de Crescimento

O valor intrínseco de uma empresa é função de seus fluxos de caixa futuros.

É natural que se espera que esses fluxos de caixa cresçam ao longo do tempo.

Mas como determinar essa taxa de crescimento?

É isso que discutimos nesta aula, sob diferentes contextos e, inclusive, em períodos de crise.


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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Eficiência e Aleatoriedade no Mercado de Ações

Em recente discussão sobre eficiência de mercado e assimetria de informação, um aluno me questionou sobre o efeito da aleatoriedade no mercado financeiro. 

Nessa hora, lembrei do slides de uma aula, com trechos de Fama (1970, Efficient capital markets) e também do @MonkeyStocks.


O Monkey Stocks é um perfil do instagram (aqui) que toma com inspiração o trabalho de Malkiel (1973, A Random Walk Down Wall Street), que afirmou em seu livro que "um macaco com os olhos vendados jogando dardos nas páginas financeiras de um jornal poderia selecionar um portfólio que seria tão bom quanto um cuidadosamente selecionado por especialistas".


Já Fama (1970) fala do "modelo de passeio aleatório" para explicar as mudanças de preços dos ativos ao longo do tempo. Porém, o fator aleatório, unicamente, não é determinante da Hipótese de Eficiência de Mercado (HME).

As limitações da HME de Fama são conhecidas e comprovadamente testadas por muitos. Há estudos em diferentes mercados. Minha tese de doutorado, inclusive, demonstrou a limitação da forma forte da HME no mercado brasileiro. Isto é, sem essa de "o mercado precifica".

Portanto, aleatória e temporariamente, o mercado pode parecer completamente eficiente, mas não o é apenas pelo fator aleatório. Conceitualmente haveria outros pressupostos para que ele fosse considerado como tal.

No Brasil, o pessoal do @MonkeyStocks criou uma carteira aleatoriamente montada, e desde o início de 2019 ela tem acumulado um retorno expressivo (+51,13%) e "batido o mercado" (Ibov = +19,16%), até 18/10/2019. Carteira completa aqui.


A formação da carteira @MonkeyStocks é aleatória (por sorteio), mas não condicionada ao preço histórico (HME). Mesmo sabendo que eles não têm o objetivo de testar a HME, essa carteira é um experimento didático para o caso.

O bom desempenho de uma carteira aleatoriamente montada não reflete, necessariamente, que o mercado é eficiente. Ligando isso à discussão "preço importa ou não importa?", com a comprovada existência de ineficiência nos mercados, é claro que preço importa.

Nesse caso, o fator aleatório até agora agiu a favor, mas como em qualquer outro caso, pode vir a agir contra. Isso dá artigo! 

Ou vale acompanhar o @MonkeyStocks em uma série temporal mais longa. As postagens são bem legais.

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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Gerenciamento de Resultados, ou de Valor?

Será que uma simples provisão contábil teria o poder de afetar o Valor de uma empresa?

E no caso dos bancos, que dependem de crédito para rentabilizar suas operações em ambientes de maior/menor risco, as decisões discricionárias dos gestores podem afetar o Valor?

Isto pode ser chamado de Gerenciamento de Resultados (ou Earnings Management).

Eu tenho estudado esse fenômeno na academia há alguns anos, e recente o caso de uma das empresas que eu invisto me chamou a atenção.

Ontem, dia 05/08/2019, o Banco ABC divulgou seu resultado do trimestre 2T19 e reportou um Lucro Líquido de R$ 125,2 milhões, montante acima das expectativas de uma famosa casa de análise, que destacou em seu relatório pós-resultado que o fraco desempenho das Receitas de Intermediação Financeira do banco havia sido compensado pela redução da Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa (PCLD ou PDD). Será? Como assim?

O Banco ABC é reconhecido como um banco médio com resultados mais previsíveis, poucas surpresas, com spread fortemente ligado à Selic. Como seu principal negócio é crédito, em ambiente de maior incerteza sua PDD tende a aumentar, com a redução do risco, há menor PDD.

Bem, é fato que o ambiente atualmente no Brasil tem se tornado mais favorável aos negócios. O Bacen acabou de reduzir a taxa Selic de 6,5% a.a. para 6,0% a.a. Por um lado, isso pressiona as receitas do Banco ABC, que é tipicamente um banco de crédito para empresas, mas, por outro lado, favorece o ambiente de negócios ao baratear o crédito para a produção de bens e serviços na economia. Mas a PDD não está relacionada apenas ao risco atual, a partir desta redução de taxa, ela reflete o risco de inadimplência enfrentado pelo banco entre abril e junho de 2019, antes dessa mudança na economia, e antes da aprovação da Reforma da Previdência.

Como essa provisão depende da estimativas contábeis, sujeitas a gerenciamento, fiquei curioso em analisá-las. Olhando para o histórico do banco nos últimos 22 trimestres (Gráfico 1), é possível ver algum tipo de "padrão" de maiores provisões no início dos anos.


Para melhorar o olhar, calculei as médias percentuais por cada trimestre, seja PDD/Receita ou PDD/Lucro. No Gráfico 2 coloco até uma linha de tendência. Nos dois casos, vemos uma tendência de maior PDD nos primeiros trimestres, reduzindo-se nos últimos. Especialmente quando a ponderação é feita pela Receita, que é menos passível de manipulação.


Olhando ano-a-ano, o "efeito gerenciamento" some. Mas dentro dos anos, tal efeito parece presente. Portanto, decisões de investimento ou Valuation com base em dados trimestrais necessitam de cuidadosa análise, nesse sentido, pois PDD afeta os fluxos de caixa esperados.

Não é meu objetivo afirmar se há, de fato, manipulação de resultados ou não nessa empresa. Meu único objetivo aqui é lançar um olhar didático sobre o fenômeno, que se repete em outras empresas.

Os famosos "accruals" (acumulações) estão aí.

Isso é Contabilidade!

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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O famoso “Dividend Yield” no Mercado de Ações



O que são esses estranhos “dividend yield” e “yield on cost”?

Um significado mais literal de “yield” é rendimento, lucro. Logo, dividend yield é o que podemos entender por “rendimento dos dividendos”. Uma forma conservadora de se realizar um investimento em ações é optar por empresas que tenham um bom dividend yield, pois o investidor já “garante” um rendimento mínimo de seu investimento, além de poder ganhar com a valorização da ação (é como se você tivesse um título que lhe rende juros, e ainda valoriza com o passar do tempo, ganha-se nas duas pontas). E por que essa é uma opção conservadora, ou segura? Por que em período de mercado em baixa, como agora, não importa quanto a ação desvaloriza, pois, seu rendimento com dividendos é certo (e normalmente crescente).

Já o yield on cost é a taxa anual média de rendimento dos dividendos. Matematicamente, é o total de dividendos recebidos no ano, dividido pelo custo médio das ações adquiridas (quanto pagamos, em média, pelas ações que temos). Essa taxa é comparável, por exemplo, às taxas anuais da poupança ou dos títulos públicos. E veremos que em muitos casos ela é superior, e nós ainda temos a oportunidade de ganhar bastante na outra ponta (com a valorização de nossas ações).

Essas taxas são muito interessantes, mas temos que ter em mente que nem todas as empresas distribuem a maior parte de seus lucros como dividendos, algumas retém a maior parte do lucro para reinvestimento. E isso sustenta seu crescimento e, consequentemente, maior valorização. Por essa razão, não se deve tomar uma decisão de investimento baseando-se apenas no yield. Mas sem sombra de dúvidas ele é um bom indicador e também deve ser utilizado (além de outros) para diversificar nossos investimentos, garantir a rentabilidade de nossa carteira, e reduzir nossos riscos.

Tomando por base o preço de algumas ações no final de junho de 2018, podemos verificar que elas apresentam excelentes dividend yields. Considerando o dividendo total esperado em 2018 e a cotação da ação em 29 de junho, temos: CARD3 (6,80%), EGIE3 (8,47%), ITSA4 (8,82%), IRBR3 (4,76%), MPLU3 (8,58%), PETR4 (4,19%), SAPR11 (8,60%), SMLE3 (8,25%), SUZB3 (1,30%), UNIP6 (15,00%), VALE3 (1,05%) e WEGE3 (2,03%) [fonte: Thonsom Reuters].

Apenas para fins de comparação, como benchmarkings, para 2018 as rentabilidades esperadas (e aproximadas) da poupança é 4,55%, do CDI é 6,39% e do Tesouro Selic é 6,50%.

No setor financeiro, é bastante comum o pagamento de dividendos todos os trimestres. Este setor também é um dos setores mais voláteis às entradas e saídas de investidores na bolsa brasileira. Por isso, muitas vezes a queda no preço da ação é explicada pelas saídas de investidores, e não pela piora dos fundamentos das empresas (como agora).

No Brasil, mais da metade dos investidores são estrangeiros, e quando as incertezas políticas por aqui aumentam, eles tendem a sair. E o setor financeiro atrai muitos desses investidores, devido à sua alta rentabilidade  e às barreiras de entrada de novas empresas aqui no Brasil. Isso explica boa parte da redução dos preços na bolsa brasileira nos últimos meses. Porém, após este período de eleições e de greves (como a dos caminhoneiros), acredito que eles voltarão (como já voltaram em outros períodos) e os preços voltarão a subir, valorizando as ações novamente.

Enquanto isso não acontece, manter a calma e continuar a comprar boas empresas a preços descontados é uma excelente estratégia para obter bons dividend yields! Quando a bolsa subir, ainda se pode ganhar com a valorização das ações, também.

Orleans Martins

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sexta-feira, 29 de junho de 2018

TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO: fuja desse mal!


Fui roubado sabendo!

Mas não é de hoje que alertamos que Título de Capitalização, na prática, NÃO É INVESTIMENTO! Algo que rende menos do que a poupança, que já é uma das piores alternativas, não deveria ser considerado como meio de "capitalizar" seu patrimônio.

Acontece que inúmeros bancos ainda forçam seus gerentes a cometerem o CRIME de "enfiarem" isso goela abaixo de seus clientes. Uma prática recente tem sido usar isto como "garantia" de aluguel.

Recentemente fui obrigado a adquirir um, caso não tivesse um fiador com imóvel próprio e quitado na cidade para "garantir" meu aluguel (o que, além de ser raro de encontrar, é quase inaceitável para qualquer um). Para piorar, após 1 ano com meu dinheiro preso a este "troço", recebi exatamente o "mesmo valor nominal" empregado 1 ano atrás. Ou seja, meu dinheiro ficou "parado no tempo". Na pior das hipóteses, meu custo de oportunidade foi de pelo menos 10% a.a. Isto é: fui roubado sabendo! Mas eu não tinha alternativa.

Como diz um amigo:

"Reza a lenda que quem vende título de capitalização vai para o inferno!" (Felipe Pontes, 2018).

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sábado, 9 de dezembro de 2017

Banco ou Bitcoin


Mas afinal, o que cargas d'água é essa tal de Bitcoin?!

Ganhando cada vez mais adeptos nos últimos anos, especialmente tendo apresentado um crescimento vertiginoso em 2017, a Bitcoin ganhou atenção especial até da Netflix, que lançou este ano um documentário especial para contar um pouco de sua história.

Como explicado um dos diversos sites especializados (Mercado Bitcoin, este no Brasil):

"Bitcoin é uma forma de dinheiro, com a diferença de ser digital e não ser emitido por nenhum governo. Para transações online, é a forma ideal de pagamento, pois é rápido, barato e seguro. É uma tecnologia inovadora."

Trata-se de uma moeda, como o Real ou o Dólar, mas esta é virtual. Alguns investidores já a consideram como alternativa de investimento, haja vista sua grande valorização, especialmente no passado recente. Vejam o gráfico da variação de seu valor em dólar:


Para quem tem interesse em obter mais informações sobre esta moeda, sugiro que assistam ao documentário da Netflix: "Banco ou Bitcoin". O mesmo trás informações desde o surgimento, passando pelo seu uso como moeda alternativa à compra de drogas na internet, à tentativa do governo dos Estados Unidos à regulamentá-la, até a prisão de alguns envolvidos em sua criação.

Mais informações sobre o documentários AQUI.

Apesar das minhas restrições à esta moeda, sugiro que assistam o documentário, uma vez que é esclarecedor e trata de um tema em crescente relevância no mercado financeiro.

Observação: deixo claro que não estou sugerindo a consideração desta moeda como alternativa de investimento, até mesmo porque não a vejo assim. Em minha opinião, hoje ela é mais carregada de expectativa e especulação, do que de valor.

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sábado, 12 de agosto de 2017

[livro] Manual do Pequeno Investidor em Ações


Há tempos queria postar a resenha deste livro que li já faz algum tempo, mas que para mim é um dos mais didáticos e agradáveis sobre o mercado de ações no Brasil. Breve e com linguagem acessível, ele dá uma boa noção do funcionamento do nosso mercado e ainda explica técnicas de reduzir a tributação sobre o ganho de capital com as ações.

Livro: MANUAL DO PEQUENO INVESTIDOR EM AÇÕES

Autor: Fábio Portela L. de Almeida, servidor público, pequeno investidor, aplicando parte do rendimento do seu trabalho.

A história do Fábio Almeida se assemelha a de muitos brasileiros que aplicam no mercado de ações (assim como o que vos escreve). Servidor público de carreiro, ele buscou no mercado de ações construir um patrimônio ao longo do tempo, de forma que fosse capaz de prover a segurança de sua família.

O Fábio entrou no mercado em 2006, em pleno período de euforia e, logo à frente, encarou a crise de 2008. Investidor baseado em fundamentos, faz diferentes referências ao Benjamin Graham ao longo de seu livro, citando sua estratégia de buy and hold.

De forma didática, seu livro é direto e dividido em seis partes, resumidas a seguir.

1) Você está preparado para investir em ações? Nesta seção ele dá noções básicas sobre porque investir em ações, sobre a diferença entre abrir um negócio e investir em ações, e destaca que ações são investimento para o longo prazo, com vista em sua independência financeira. E resume: não é preciso ser um gênio para investir em ações, basta ter controle emocional, diversificar seu investimento e ter um "colchão" de segurança.

2) Introdução ao investimento em ações: aqui explica o que é uma ação, o que representa um "ticker", quais os direitos dos acionais, porque os preços das ações variam tanto, quais os riscos de se investir em ações e as diferenças entre análise fundamentalista e análise técnica.

3) Começando a investir em ações: nesta seção o Fábio detalha os primeiros passos, desde a escolha da corretora, passando pelas recomendações de analistas, pela diferença entre investir em um fundo de ações ou em uma ação individual, assim como discute a rentabilidade que se deve esperar das ações. Também destaca que as ações podem proteger o seu patrimônio da inflação (o que é bastante razoável no Brasil) e explica quando começar a investir em ações.

O pulo do gato (economia de imposto de renda): nesta parte, o Fábio destaca uma importante estratégia para o pequeno investidor, que apesar de parecer óbvia, passa despercebida por vários (já verifiquei isso com colegas investidores). No Brasil, há isenção de imposto de renda sobre os ganhos de capital com a venda de ações em valor inferior a R$ 20mil por mês (total). Assim, ele sugere que, ao utilizar o buy and hold e possuir ações compradas há algum tempo que apresentem razoável valorização, você pode vendê-las e recomprá-las em valor inferior a R$ 20mil (talvez no mesmo dia), para realizar seu ganho até aquele preço. Isso o livrará de pagar imposto de renda sobre esse montante, quando decidir vender suas ações, especialmente se a venda total superar R$ 20mil. Quando falo que "talvez no mesmo dia" é se você recomprar acima do valor vendido (mesmo que recompre alguns centavos acima, valerá apenas porque você não pagará o imposto de renda). Se recomprar no mesmo dia por um valor inferior pode incorrer em day trade e ter que pagar o imposto. Eu mesmo já utilizei esta estratégia em final de mês (mas não no último dia), vendendo, por exemplo, no dia 25 e recomprando no dia 26 (várias vezes já tive a sorte de recomprar por um valor menor, pois eu deixava para vender em dias em que a ação apresentava forte valorização). Mas afirmo, eu sou buy and hold, mas só realizava a venda/recompra quando minhas ações apresentavam boa valorização e eu tinha razoável certeza da variação do seus preços naquele período.

4) Descobrindo o quanto vale uma empresa: fundamento, essa é a palavra chave. Como citado anteriormente, o Fábio faz bastante referência ao Benjamim Graham, logo, comenta como comprar ações por menos do que vale e fala do poder dos juros compostos. Isto é, há diferença entre o valor e o preço.

5) Buy and Hold: investindo para o longo prazo! Há diferença entre investir e especular, e o sucesso dessa estratégia consiste em adquirir boas empresas, por um valor justo, e mantê-las para o futuro. Para isso, como aponta o Warren Buffet, é essencial identificar empresas com vantagens competitivas duradouras!

6) Erros comuns que você pode evitar: o grand finale. Quem quer ganhar dinheiro, tem que aprender a perder dinheiro! Ações são títulos com rendimento variável, logo, em alguns momentos pode apresentar reduções em seu preço (que é diferente de seu valor). Voltando à seção 1, é preciso ter paciência e controle emocional. E não seguir sugestões, dicas ou "a boiada", no típico movimento de manada em que todos correm na mesma direção (que pode ser um precipício).

Ao final, o Fábio conclui o livro com considerações finais sobre suas observações e estratégias.

Destaco, por fim, que este é apenas um resumo do livro, sugiro que o leiam para que observem a riqueza dos detalhes de sua experiência como "pequeno investidor".

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sábado, 5 de agosto de 2017

[livro] Faça Fortuna com Ações


Particularmente eu sou um daqueles investidores que gostam de literatura nacional. Habitualmente procuro por bons livros que retratem o mercado brasileiro (infelizmente são poucos). Na literatura sobre investimentos, temos excelentes livros, mas a maioria retrata o mercado norte-americano (como O Investidor Inteligente, Investindo em Ações no Longo Prazo, Ações Comuns Lucros Extraordinários, Security Analysis etc.). O Faça Fortuna com Ações: Antes que Seja Tarde é talvez um dos mais conhecidos e mais antigos do mercado brasileiro, por isso decidi contar minha experiência e percepção sobre essa leitura, fazendo esta breve Resenha.

Livro: FAÇA FORTUNA COM AÇÕES: ANTES QUE SEJA TARDE

Autor: Décio Bazin, jornalista e investidor

O Décio Bazin (autor) foi um jornalista e investidor que durante muito tempo antes de publicar o livro escreveu sobre o mercado de ações para o jornal “Gazeta Mercantil” e para a revista “Balanço Financeiro”. Com isso, ele enrique o livro, ao final de cada capítulo, com a adição de seus artigos relacionados ao tema do capítulo e publicados por aqueles veículos de comunicação.

O livro é um clássico nacional, pois além de contar as estratégias de investimentos e observações que o Bazin fazia ao longo de sua experiência com a bolsa de valores, contando como era nossa bolsa naquele período (tendo em vista que o livro foi publicado em 1992, quando o mercado era bem diferente de hoje, com republicações até hoje). Como o próprio subtítulo do livro já diz: "Profissional do Mercado mostra o caminho através do fascinante mundo da Bolsa".

Com um conteúdo fortemente relacionado à análise fundamentalista, Bazin é cético ao desacreditar a análise técnica e focar na importância dos números contábeis das empresas. Boa parte do livro ele destina a criticar os papéis de especuladores e manipuladores no mercado. Para o Bazin, "fazer fortuna com ações" é resultado de muito estudo dos números contábeis e investimento em boas empresas pagadoras de dividendos. Utilizando o termo "cash yield" para designar a remuneração dos dividendos em relação ao preço da ação, ele determina 6% de retorno sobre o preço da ação como taxa mínima de atratividade, indicando a substituição de empresas que não atendam a esse critério por períodos consecutivos.

O livro é divido em dois, tratando, na primeira parte, dos seguintes temas: i) introdução, ii) a ação e o preço, iii) por que investir em ações, iv) fórmulas para investir, e v) o investidor vai desaparecer. Na segunda parte, trata de: i) o mercado, ii) cinco personagens, iii) os que atrapalham o mercado, e v) apêndice.

Como um clássico nacional, recomendo a leitura àqueles que se interessam pelo mercado de ações, sejam investidores já experientes ou iniciantes, pois terão a oportunidade de ter uma visão "vintage" do mercado de ações no Brasil, conhecendo o famoso "Método Bazin", apregoado por algumas consultorias de investimento atualmente.

Portanto, boa leitura e faça a sua fortuna!

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Começando a Resenha!


Ao longo dos últimos anos, tenho observado diversas discussões e questionamentos sobre bons livros na área de investimentos, seja em fóruns de investidores, em salas de aula ou mesmo em conversas com amigos.

O tema “investimento” desperta o interesse de diferentes públicos, seja aquele indivíduo que possui a capacidade de resguardar apenas uma pequena parte do seu salário, ou aquele que possui grandes recursos financeiros para aplicação. Difere também a formação dos interessados, alguns formados na área de negócios, outros na área de saúde, ou até aquele que não teve uma formação superior.

Por essas razões, escolher um livro para obtenção de conhecimentos sobre investimentos, ou mesmo indicar um livro a alguma pessoa, não é uma tarefa fácil. Melhor seria se fosse possível “degustar” o livro de forma resumida, para saber se o seu conteúdo é aquilo mesmo que se está procurando.

Pensando nisso, decidi criar uma seção neste blog para, periodicamente, publicar pequenas resenhas críticas sobre os livros que tenho lido, sejam acadêmicos ou literários, destacando seus pontos fortes e fracos, indicando suas melhores aplicações.

O primeiro deles é um clássico do mundo dos investimentos, chamado INVESTINDO EM AÇÕES NO LINGO PRAZO. Esta será minha próxima postagem.

Dando início ao meu projeto de publicar resenhas críticas sobre os livros que tenho lido, inicio esta seção com um clássico do investimento em ações.

Confira na postagem a seguir!

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[livro] Investindo em Ações no Longo Prazo


Dando início ao meu projeto de publicar resenhas críticas sobre os livros que tenho lido, inicio esta seção com um clássico do investimento em ações.

Livro: INVESTINDO EM AÇÕES NO LINGO PRAZO

Autor: Jeremy J. Siegel, professor de finanças da Universidade da Pensilvânia.

O livro INVESTINDO EM AÇÕES NO LONGO PRAZO certamente é um clássico no mundo inteiro. Como diz seu subtítulo é “O Guia Indispensável do Investidor no Mercado Financeiro”. Em sua 5ª edição, publicada em 2015 na versão em português pela editora Bookman, o livro já traz em sua contracapa imponentes comentários de importantes jornais acerca de sua qualidade. Com os quais eu concordo.

Acerca do livro, em geral, digo que é muito bom! Valeu a pena cada real investido nele. É rico em conhecimento não só sobre o mercado de ações, mas também aborda o mercado de dívida, de renda fixa, os períodos de crise, o desempenho da economia, as finanças comportamentais, entre outros. Sua abordagem é ampla, sem deixar de ser detalhada em cada um de seus capítulos. Há muitos dados do mercado norte-americano, os quais suportam cada afirmação do autor. Por essa razão, talvez para um iniciante ele seja um pouco “denso”, “pesado”. Eu não o indico para alguém que vai ler seu primeiro livro sobre investimentos, mas para alguém que já tem uma pequena noção, pois tirará mais proveito ao se deparar com temas, chavões e expressões mercadológicas frequentes nessa área. Pena que se restrinja ao mercado dos Estados Unidos, todavia, devido à forte correlação desse mercado com todos os outros mercados do mundo (por ser o maior), suas lições podem ser exportadas para esses outros mercados.

O livro está dividido 24 capítulos, distribuídos em 5 partes.

Na primeira parte, aborda-se os retornos das ações no passado, presente e futuro. Iniciando com fatores históricos, o Jeremy aborda temas como o retorno das ações em períodos de pico de preços, assim como os períodos de crise, com destaque para a crise dos subprime de 2008. Ainda, aborda a crise dos benefícios sociais, assim como a reação do mercado a essas crises.

A segunda parte aborda fatores históricos, chamada de “o veredito da história”. Destacando o retorno das ações no mercado dos EUA desde 1802, mostrando porque no longo prazo as ações são menos arriscadas do que os títulos. Alternativamente, aborda a formação e negociação de índices, assim como o impacto dos impostos sobre o retorno das ações. Destaca indicadores de lucro e dividendos e parâmetros para avaliar as ações.

Na parte III é destacado como o ambiente econômico afeta as ações. Explica-se o padrão ouro e sua extinção, o reflexo das políticas monetárias, o impacto da inflação, assim como a relação do preço das ações com os ciclos econômicos. O que move o mercado? Nem sempre seus movimentos estão atrelados a fatores específicos, e outras vezes quando se espera uma reação positiva vem uma avalanche descendo com tudo! Ou vice-versa.

A quarta parte é voltada às oscilações das ações no curto prazo. Nesta parte há atenção especial à volatilidade dos mercados. Fundos negociados em bolsas, futuros de índices, arbitragem, ETFs... como lidar com esses elementos em períodos de alta oscilação dos preços, chegando a suspender o pregão na bolsa? Como tratar as anomalias de mercado e como se proteger das armadilhas psicológicas? Aqui há uma atenção final às finanças comportamentais.

A quinta e última parte, menor e certamente mais atraente ao leitor, fala da construção de riqueza por meio de ações. Certamente de forma proposital, o Jeremy J. Siegel deixou a melhor parte para o final, não por crueldade, mas com certeza porque, para se construir riqueza com ações, é preciso atenção a todos os elementos antes discutidos, desde crises e riscos, passando por volatilidade, anomalias e armadilhas psicológicas, para se chegar ao esperado retorno (e riqueza). Assim, ao final se discute o desempenho de fundos e a indexação dos investimentos, assim como a estrutura de uma carteira para um crescimento de longo prazo.

Com isso, encerro minha resenha crítica. Isto é apenas um aperitivo. Espero que possa tê-lo deixado mais curioso e com vontade de ler o livro.


Abraços!

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Preço da Ação, Disclosure e Assimetria de Informação: O Caso OGX


No último número da Revista Universo Contábil consta uma de minhas pesquisas sobre assimetria de informação, desenvolvida com os professores Luiz Felipe Pontes de Araújo Girão e Edilson Paulo.

Preço da Ação, Disclosure e Assimetria de Informação: O Caso OGX

Resumo
Este estudo investigou a relação entre o preço da ação, a divulgação de informações corporativas e a probabilidade de negociação com informação privilegiada (PIN) da OGX entre os anos de 2008 e 2014. Para isso, apoiou-se em uma revisão de literatura sobre os reflexos da disclosure e da assimetria de informação sobre o preço da ação, analisando 1.631 dias de negociação por meio de modelos de microestrutura de mercado, correlação e regressão. Nos resultados, verificou-se que o índice de disclosure apresentou relação negativa com o preço e não afetou a assimetria de informação. Quanto à cada tipo de informação, o preço foi positivamente afetado pelas notícias no site da empresa e comunicados ao mercado, e negativamente pelos fatos relevantes e formulários ICVM 358. Já a assimetria de informação foi influenciada positivamente apenas pelas informações financeiras trimestrais. Ainda, observou-se que o mercado precificou a PIN apenas até meados de 2011, quando houve uma quebra estrutural na variável preço.

O trabalho na íntegra pode ser obtido AQUI.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Petrobras é Exemplo de Destruição de Valor


O professor da Universidade de Nova York, Aswath Damodaran , um dos mais respeitados especialistas em avaliação de empresas e finanças corporativas, cita em artigo a Petrobras com exemplo de como destruir o valor de uma companhia. Ele levanta as razões que levaram a Petrobras a perder US$ 200 bilhões em valor de mercado, a maior parte, US$ 160 bilhões, antes mesmo de os preços do petróleo recuarem. E faz uma estimativa de quanto deveria valer a ação da estatal:  quase nada no pior cenário e R$ 22,55 no mais otimista.

Damodaran ironiza a situação, afirmando que os erros da empresa são tão grosseiros que, se fosse adepto de teorias conspiratórias, ele chegaria a pensar que foram provocados por um plano diabólico para destruir a companhia perpetrado por um gênio do mal. “Mas eu aprendi com a dura experiência que você não deve atribuir à malevolência o que pode ser explicado por ganância, interesses próprios e um sistema errado de incentivos.”

Papel barato?

Para Damodaran, com a forte queda dos preços das ações, os papéis atraem o interesse dos chamados investidores contrários, que vão contra as visões gerais do mercado. E a ação parece atrativa à primeira vista, usando alguns múltiplos convencionais, como a relação preço/lucro , de 5,31 vezes, ante a média de 17,63% do mercado, e o preço/valor patrimonial, de 30%, ante 103% do setor. Já o valor da empresa em relação à geração de caixa (EV/Ebitda, cálculo que soma a dívida ao valor de mercado da empresa e o compara com a geração de caixa, o que mostra quantos anos levaria para a companhia render o suficiente para pagar todo o negócio), é de 5,6 vezes, pior que as 4,60 vezes do mercado.

Para Damodaran, a ação da Petrobras parece barata olhando a relação preço/lucro da ação e sua relação com o valor patrimonial, mas os resultados são mistos com relação ao valor da empresa. Ele lembra ainda que todos esses múltiplos são afetados pelo fato de que os preços do petróleo caíram dramaticamente desde o último balanço oficial e que os lucros também devem cair nos próximos trimestres. E, como os resultados já estavam caindo antes mesmo da baixa do petróleo,  Damodaran teme que a queda seja ainda maior agora, com o barril perto de US$ 50.

Ação perto de zero

Usando os dados históricos da empresa e o preço atual do petróleo, Damodaran fez uma estimativa dos resultados da Petrobras. Considerando o preço atual do petróleo em US$ 51,69 o barril, a receita anualizada da Petrobras seria de US$ 61,3 bilhões, uma queda de 55% em relação aos US$ 135 bilhões dos 12 meses encerrados em setembro. Com isso, o lucro operacional, antes de impostos, seria de US$ 6,638 bilhões. Com esse nível de lucro, o valor da Petrobras seria de US$ 62,4 bilhões, bem abaixo dos US$ 135,1 bilhões atuais, fazendo sua ação valer quase nada.

Fatores para comprar Petrobras

Mas há outros fatores que podem incentivar o investidor a comprar Petrobras, admite Damodaran, se ele for otimista. Há o fato de a Petrobras ser uma das maiores produtoras de petróleo do mundo e, se o preço do produto subir, haverá um pulo nas receitas. O segundo fator é que os investimentos dos últimos anos tornaram a empresa dona da quinta maior reserva comprovada de petróleo do mundo, apesar de a viabilidade de exploração de algumas dessas reservas aos preços de hoje poder ser questionável.

O terceiro fator é que que se o governo brasileiro parar de interferir e a direção da companhia  parar com seu comportamento autodestrutivo, lucros, margens e retorno devem melhorar. Num cenário mais otimista, a Petrobras poderia manter sua receita intacta em US$ 135,8 bilhões, melhorar sua margem operacional para os 21,1% que tinha em 2010 e seu retorno de capital de 13,36%, na média de 10 anos. Poderia ainda reduzir seu endividamento para 43,5%, média dos últimos cinco anos. Nesse caso, a ação da Petrobras poderia valer R$ 22,55, bem acima do valor atual de R$ 9,12.

Ascensão e queda da Petrobras

A ascensão da Petrobras de uma companhia petroleira de mercado emergente para uma gigante entre 2002 e 2010 se deve a três fatores, explica Damodaran. O primeiro, a descoberta de grandes reservas no início da década passada, que catapultou a empresa para as com maiores reservas comprovadas, apesar de seu custo maior de produção, fator que foi minimizado pelo segundo, a forte alta dos preços do petróleo no mercado internacional, para mais US$ 100 o barril, o que manteve a exploração desses campos viável economicamente.

O terceiro fator foi a queda no risco-Brasil, dos estratosféricos níveis de 2001, quando o default credit spread atingiu 14,34%, para 1,43% em 2010, quando o Brasil parecia ter atingido o nível de quase desenvolvido. Em 2010, a Petrobras marcou sua chegada aos mercados globais e sua ambição com uma captação de US$ 72,8 bilhões nos mercados de ações, diz Damodaran.

Campeã de perda de valor

O excesso de confiança da oferta pode ter sido o gatilho para a subsequente queda da companhia, que impressiona por sua magnitude e velocidade. Depois de atingir uma capitalização de US$ 244 bilhões em 2010, a empresa perdeu mais de US$ 200 bilhões em valor de mercado, tornando-se campeã em destruição de valor. Uma grande parte do declínio pode ser atribuída à queda do petróleo, mas antes disso ela já havia destruído US$ 160 bilhões em valor.

Descrevendo a governança corporativa da Petrobras, Damodaram lembra que o governo fez uma manobra para vender bilhões em ações aos investidores sem perder o controle da companhia. Para isso, usou as ações preferenciais, sem voto, vendidas aos demais acionistas, manteve sua fatia de 50% nas ações ordinárias, com apoio de empresas estatais como BNDES, que ficaram com mais 11.

Usando essa estrutura de controle, o governo criou um perfeito conselho fantoche, cuja única missão era proteger os interesses do governo, ou melhor, os políticos que formavam o governo de então, a todo custo. Os representantes dos minoritários foram não só ignorados como ainda sofreram retaliação por levantar questões básicas sobre governança. “Para ser honesto com Dilma, sempre houve interferência na Petrobras e seus predecessores são tão culpados quanto ela por tratar a Petrobras como um cofrinho e máquina de pressão política, como ela fez”, diz Damodaram. Lula, lembra o analista, foi tão intervencionista quanto ela, mas teve a sorte dos preços do petróleo estarem altos.

Lições de destruição

Se é preciso olhar casos de empresas que criam valor rapidamente, Petrobras se tornou um caso de estudo pela razão contrária, diz Damodaran. Ou seja, se você tiver um determinado negócio e tiver o perverso objetivo de destruí-lo completamente e rapidamente, deve replicar o que a Petrobras fez em cinco passos.

O primeiro, invista primeiro, se preocupe com retornos depois. O investimento de grandes volumes de dinheiro em novos negócios com pouca atenção ao retorno desse investimento, e normalmente com o interesse em obter vantagens políticas ou coisa pior. Entre 2009 e 2014, Petrobras aumentou seus gastos de capital e custos de exploração para mais de 35% de suas receitas, bem acima dos 15% a 20% da média de outras empresas do setor, o que fez o retorno sobre o capital cair para 5%, mesmo com o barril de petróleo a US$ 100.

O segundo passo: cresça garoto, cresça e a rentabilidade está perdida. A Petrobras ampliou o faturamento de US$ 17,4 bilhões em 1997 para US$ 135 bilhões em 2014, superando a Exxon Mobil, tornano-se a maior produtora de petróleo do mundo no terceiro trimestre do ano passado. Ao mesmo tempo, suas margens de lucro caíram dramaticamente. O governo contribuiu para isso controlando os preços da gasolina, subsidiando os donos de carros.

O terceiro passo: pague dividendos como uma empresa de serviços públicos, mesmo que não seja uma. A estrutura de capital, com ações preferenciais, obriga a empresa a distribuir lucros regularmente, o que é caro quando se tem planos de crescer ambiciosamente.

O quarto passo: tome dinheiro emprestado para cobrir o déficit de caixa. A Petrobras levantou US$ 79 bilhões em 2010, mas continuou dependente de empréstimos para se financiar, o que levou sua dívida a subir para US$ 135 bilhões no fim de 2014, a maior entre as empresas de petróleo do mundo.
O quinto e último passo: destrua valor, missão cumprida! Se você investe demais e cresce sem se preocupar com rentabilidade, pagando dividendos que não tem condições e tomando dinheiro emprestado, você cria a tempestade perfeita que leva à destruição de valor.

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