Informações sobre Contabilidade, Atuária, Economia e Finanças.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Assimetria de Informação nos Mercados de Capitais

Será que há diferença no nível de informação entre os participantes do mercado de capitais?

Neste vídeo eu discuto com os alunos dos programas de pós-graduação em Administração e Contabilidade da UFPB esse assunto.

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Hipótese de Mercado Eficiente

Seriam os mercado eficientes do ponto de vista informacional?

Neste vídeo eu discuto com os alunos dos programas de pós-graduação em Administração e Contabilidade da UFPB esse assunto.


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quarta-feira, 11 de março de 2020

Relatório Financeiro Fraudulento e Governança Corporativa



Recentemente tivemos alguns casos importantes de problemas com demonstrações contábeis no Brasil, a exemplo de Via Varejo (VVAR3) no ano passado e de CVC (CVCB3) e IRB Brasil (IRBR3) este ano. Por trás de tudo isso, a desconfiança sobre os relatórios das empresas.

Isso me fez lembrar de um estudo que publiquei no início deste ano, sobre “Mitigação da Possibilidade de Relatórios Financeiros Fraudulentos pela Governança Corporativa”. Nesse estudo, identificamos algumas características comuns às empresas com problemas em relatórios (histórico de republicação, recuperação judicial, concordata ou falência) e verificamos se a governança pode ser útil para diminuir a possível manipulação dos relatórios.

Na maioria dos casos, nossas decisões de investimento são baseadas nos números das empresas (mesmo o pessoal da análise técnica utiliza as informações para lhes auxiliar na compreensão do contexto). Logo, se elas são manipuladas ou distorcidas, as decisões também podem ser ruins, levando-nos a perder dinheiro.


Já vi alguns analistas de importantes casas de análise utilizarem esses indicadores na elaboração de seus relatórios de cobertura. Porém, é comum eles cometerem o erro de utilizarem os coeficientes originais apresentados pelos autores, de décadas atrás. Isso distorce os resultados. Neste estudo nós atualizamos esses coeficientes.

Nós analisamos todas as empresas da [B]3 entre os anos de 2010 e 2015. Nossos principais resultados apontam que em 5,5% dos casos há indicativo de relatório fraudulento, além de a probabilidade de falência ter sido identificada em 16,91% dos casos e a probabilidade de manipulação de resultados ter sido identificada em 17,73% deles. As práticas de governança corporativa relacionadas ao Conselho de Administração foram mais eficientes contra a probabilidade de falência. Já as práticas relacionadas à auditoria foram mais eficientes na redução da manipulação de resultados.

Isso demonstra que a qualidade da governança corporativa não pode ser desprezada pelo investidor. Vimos problemas recentes e sérios no Brasil, levando muita gente a perder muito dinheiro.

Este foi o resumo do estudo, que foi desenvolvido por mim e pelo Raul Ventura Júnior, publicado na Revista Brasileira de Gestão de Negócios. 


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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Amigo Secreto dos Blogs de Contabilidade 2019


Eita, mais um ano!!!

Com a chegada do final de mais um ano, mais um Natal, tivemos mais uma edição deste que é o maior e melhor amigo secreto de Blogs de Contabilidade!

Há alguns anos começamos esta brincadeira que tem ficado mais séria a cada ano. Neste edição já somos 12, com a chegada do nosso amigo Roberto Ushisima. Seja bem vindo!

Abaixo eu relaciono todos os blogs e convido todos vocês a os visitarem, vale muito a pena!

Em 2019, tive a sorte de ter a Isabel Sales (do Blog Contabilidade Financeira) como minha amiga secreta. Como sempre, recebi dela a excelente coleção de livros Leonard Mlodinow. Obrigado Isabel!!!


Por outro lado, fui o amigo secreto do César Tibúrcio, também do Blog Contabilidade Financeira. Seguindo o ritual de presentar bons professores/contadores com literatura não técnica, o presenteei com os livros "Essa Gente" e "O Irmão Alemão" do Chico Buarque. Espero que ele tenha gostado!

E assim finalizamos mais um ano do melhor e maior amigo secreto de Blogs de Contabilidade! Abraços a todos e até o próximo ano!

Segue a lista dos blogs:

Acervo Contábil (do Sandro)
Alcantara (do Alexandre Alcântara)
Ideias Contábeis (da Cláudia Cruz)
Contabilidade Financeira (de César Tibúrcio, Isabel Sales e Pedro Correia)
Contabilidade e Métodos Quantitativos (do Felipe Pontes)
Empresas e Mercados (do Roberto Ushisima)
Informação Contábil (do Orleans Martins)
Histórias Contábeis (da Polyana Silva)
Panorama Público (do Roberto Lima) 
Vladmir F Almeida (do Vladmir Almeida)

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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

E esse tal de "Impairment"?


Impairment é também a conhecido como baixa por Redução ao Valor Recuperável de Ativos. No Brasil, a norma contábil que orienta sua realização é o CPC 01.

Os US$ 3,2bi de impairment anunciados pela Vale (aqui) recentemente me fez lembrar do Oficio-Circular CVM 01/2018 (aqui). Naquela ocasião, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manifestava preocupação com a elaboração das Demonstrações Financeiras das empresas, devido a "desvios identificados".

Impairment provém do CPC 01 que requer a redução do valor contábil dos ativos ao seu valor recuperável. Durante muito tempo, este foi um ponto sensível nas Demonstrações Financeiras das empresas, aparecendo com frequência como Principais Assuntos de Auditoria (PAA) no relatório de auditoria (em 32% dos casos).

A CVM tava incomodada com a possível "não baixa" dos valores não recuperáveis. No caso mais recente da Vale, o que ela fez, foi isso, baixou valores identificados como não recuperáveis em ativos de metais básicos e carvão. É uma perda de valor esperado, sem efeito caixa.

Valores de ativos como esses variam com as mudanças nas suas características, ou mesmo na expectativa de preço futuro no mercado. Até o câmbio pode afetar. E se o "vento" do dólar sopra em favor do resultado da Vale, por que oportunamente não seguir o Ofício da CVM? É isso!

Estes e outros comentários em @orleansmartins

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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Eficiência e Aleatoriedade no Mercado de Ações

Em recente discussão sobre eficiência de mercado e assimetria de informação, um aluno me questionou sobre o efeito da aleatoriedade no mercado financeiro. 

Nessa hora, lembrei do slides de uma aula, com trechos de Fama (1970, Efficient capital markets) e também do @MonkeyStocks.


O Monkey Stocks é um perfil do instagram (aqui) que toma com inspiração o trabalho de Malkiel (1973, A Random Walk Down Wall Street), que afirmou em seu livro que "um macaco com os olhos vendados jogando dardos nas páginas financeiras de um jornal poderia selecionar um portfólio que seria tão bom quanto um cuidadosamente selecionado por especialistas".


Já Fama (1970) fala do "modelo de passeio aleatório" para explicar as mudanças de preços dos ativos ao longo do tempo. Porém, o fator aleatório, unicamente, não é determinante da Hipótese de Eficiência de Mercado (HME).

As limitações da HME de Fama são conhecidas e comprovadamente testadas por muitos. Há estudos em diferentes mercados. Minha tese de doutorado, inclusive, demonstrou a limitação da forma forte da HME no mercado brasileiro. Isto é, sem essa de "o mercado precifica".

Portanto, aleatória e temporariamente, o mercado pode parecer completamente eficiente, mas não o é apenas pelo fator aleatório. Conceitualmente haveria outros pressupostos para que ele fosse considerado como tal.

No Brasil, o pessoal do @MonkeyStocks criou uma carteira aleatoriamente montada, e desde o início de 2019 ela tem acumulado um retorno expressivo (+51,13%) e "batido o mercado" (Ibov = +19,16%), até 18/10/2019. Carteira completa aqui.


A formação da carteira @MonkeyStocks é aleatória (por sorteio), mas não condicionada ao preço histórico (HME). Mesmo sabendo que eles não têm o objetivo de testar a HME, essa carteira é um experimento didático para o caso.

O bom desempenho de uma carteira aleatoriamente montada não reflete, necessariamente, que o mercado é eficiente. Ligando isso à discussão "preço importa ou não importa?", com a comprovada existência de ineficiência nos mercados, é claro que preço importa.

Nesse caso, o fator aleatório até agora agiu a favor, mas como em qualquer outro caso, pode vir a agir contra. Isso dá artigo! 

Ou vale acompanhar o @MonkeyStocks em uma série temporal mais longa. As postagens são bem legais.

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