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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Programa de Qualidade Chega ao Setor Contábil



O Sindicato das Empresas Contábeis do RN lança hoje o Programa de Qualidade de Empresas Contábeis, em parceria com o Senac. Iniciativa de sucesso em locais como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco, o PQEC chega ao Rio Grande do Norte para criar um diferencial no mercado entre as empresas do setor. "O selo de qualidade será um sinônimo de credibilidade para as empresas que aderirem", explica o presidente do Sescon/RN, Weber Carvalho. O lançamento está marcado para as 19h, no Hotel Escola Senac Barreira Roxa, na Via Costeira, e é voltado para o grupo de associados do Sescon/RN.

A adesão já começa a partir desta quarta-feira e em outubro terão início as visitas às empresas para o primeiro diagnóstico. A previsão é que em janeiro de 2012 os primeiros treinamentos comecem. O prazo médio para conclusão do programa e obtenção do certificado é de 18 meses e o selo de qualidade tem validade de dois anos. Depois do treinamento, a empresa certificada irá oferecer um serviço de melhor qualidade aos clientes e, consequentemente, irá se destacar no mercado, segundo o sindicato.

O Programa será desenvolvido em duas fases: uma de diagnóstico e adequação aos pré-requisitos de qualidade e outra de capacitação e treinamento de gestores e colaboradores. De acordo com Carvalho, as empresas contábeis há tempos precisavam de uma ferramenta como essa. "A prestação de serviços precisa melhorar cada vez mais, uma vez que o mercado a cada dia se mostra mais exigente", diz.

Para integrar o programa, a empresa deve atuar há mais de três anos no mercado, realizar escrituração contábil regular, não possuir atividade compartilhada no mesmo espaço físico e atender os requisitos da Carta de Princípios. 

A qualidade na gestão das empresas é um assunto que tem sido debatido com freqüência no meio empresarial. Tornou-se um diferencial no mundo dos negócios possuir a chamada gestão de qualidade total, uma estratégia de administração orientada para criar consciência de qualidade em todos os processos organizacionais. A ferramenta tem sido amplamente utilizada na indústria, educação, governo e serviços e agora irá chegar às empresas de contabilidade.

O processo é composto de estágios como análise geral do processo, planejamento, organização, controle, implementação, análise de indicadores e educação continuada. O objetivo da gestão de qualidade é ir além da empresa.

Fonte: Tribuna do Norte.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Licitação no Banco do Brasil: Contabilidade a Preço de Banana

Leilão aleatório derrubou preço final, que ficou cerca de 95% abaixo dos custos propostos por concorrentes.


O Banco do Brasil conseguiu reduzir em 99,5% o preço da auditoria externa das demonstrações financeiras para 2011, mas provocou uma grita geral entre os profissionais do setor de contabilidade. 

Num pregão eletrônico realizado na sexta-feira, a KPMG, atual auditoria do banco, saiu vencedora com um lance de R$ 95 mil. Sua proposta inicial foi de R$ 19,6 milhões. 

Estiveram na disputa a PwC, com R$ 12,5 milhões, e a Ernst & Young Terco, com R$ 6 milhões. No contrato anterior, a KPMG cobrava R$ 6,5 milhões. 

Os valores são anuais, num contrato para cinco anos. 

Documentos apresentados pelos concorrentes, à disposição no site do Banco do Brasil, mostram que o valor final cobre apenas cerca de 4% das despesas gerais orçadas pela KPMG em sua proposta inicial, que eram de R$ 2,5 milhões. 

Não estão incluídos aí a remuneração da equipe de 42 pessoas, estimada em cerca de R$ 2 milhões - só os dois diretores envolvidos receberão R$ 240 mil cada, no ano. 

A KPMG estimou que necessitaria de 31.716 horas para auditar todas as entidades e serviços do Banco do Brasil, o que daria um preço por hora, com base na proposta original, perto de R$ 572,23. Se forem mantidas as horas previstas, o novo preço é de R$ 3 por hora. 

"Esse contrato afronta a livre concorrência", diz Rogério Rokembach, sócio da Rokembach, Lahm, Villanova, Gais e Cia., firma de pequeno porte. "Além disso, chega ao limite da ética profissional." Para ele, o banco poderia cancelar a concorrência por se tratar de "preço vil". 

A licitação do BB ocorre em duas fases. Na primeira, em 30 minutos, há intervenção do pregoeiro. A melhor proposta nessa etapa foi da E&Y, de R$ 4,941 milhões. Na sequência, há um leilão aleatório, que pode durar de 1 segundo a 30 minutos. Nesse caso, ele durou pouco mais de 16 minutos. Teoricamente, o preço poderia ter chegado perto de zero. 

O uso do chamado "leilão reverso" para contratação de auditorias é novo na instituição federal. Anteriormente, era usado o método do envelope fechado, vencendo a melhor oferta. É assim que ocorre, por exemplo, na Petrobras. 

"Não se pode contratar auditoria independente por leilão, como se fosse comprar canetas", diz Antonio Carlos Nasi, sócio da Nardon, Nasi. "De que adianta ficarmos falando de normas internacionais de auditoria e de contabilidade, de controle de qualidade, se na hora do exercício profissional vemos isso acontecer?" 

Procurado, o Ibracon, instituto que representa os auditores independentes, informou que não se pronuncia sobre casos específicos. 

Para um profissional do setor que prefere não ser identificado, o banco ficou em uma situação difícil, por que terá dificuldades voltar atrás, já que tecnicamente o processo foi perfeito. Não haveria agora como pedir um preço maior. 

O Banco do Brasil informou por meio de sua assessoria de imprensa que o processo está em fase de homologação. A KPMG teria até ontem à noite para entregar os documentos que comprovariam sua capacidade para cumprir o contrato. Depois disso, abre-se um prazo de recursos. 

A KPMG e a E&Y Terco foram procuradas, mas preferiram não se pronunciar. 
  
Estratégia comercial explica preços
 
Por que uma empresa que se propõe a prestar um serviço por R$ 19,6 milhões aceita fazê-lo por R$ 95 mil, um desconto de 99,5%? Seria preciso chamar uma auditoria independente para dizer que essa conta não fecha? 

Pois a KPMG, uma firma mundial de contabilidade, resolveu não fechar a conta ela mesma. 
O contorcionismo orçamentário tem uma explicação: a firma se dispôs a manter a todo o custo - literalmente - um cliente de peso, que está na sua carteira desde 2004. Talvez pior seria manter sua equipe semi-ocupada nos próximos anos. Mas provavelmente ninguém esperava que se chegasse a esse ponto. 

O que a KPMG encontrou pela frente foi um velho rival com disposição renovada. No mundo, KPMG e Ernst & Young estão alguns bilhões abaixo de suas concorrentes maiores, PwC e Deloitte, e vêm há tempos se digladiando pelo terceiro lugar do grupo das "Big Four". 

No Brasil não é diferente, a Ernst & Young acaba de incorporar sócios e clientes da Terco, uma firma de médio porte, numa disputa em que teria derrotado a rival. 

KPMG e PwC são auditorias tradicionais do setor financeiro; a Ernst & Young Terco precisa a todo custo - de novo, literalmente - firmar pé nesse setor, depois de ter perdido mundialmente a conta do ABN Amro, absorvido pelo Santander na América Latina. Atualmente, ela não audita nenhum dos grandes bancos. 

A Ernst & Young Terco vinha se preparando para essa disputa no Banco do Brasil: a equipe de cerca de 20 pessoas que trabalhava no ABN custa caro. Por isso, ganhar o banco federal era uma aposta vital, mas "pontual", como ressalta um profissional que acompanhou o processo. 

No fim, não faria diferença se fosse por R$ 95 mil ou R$ 1. A perda desse contrato é terrível para a E&Y porque ela fica sem um marca de prestígio. E, daqui a alguns anos, quando o banco fizer outra licitação, a E&Y não poderá mais participar, já que o banco exige experiência anterior em uma grande instituição nos cinco anos anteriores. (NN).


Fonte: Valor Econômico.

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Há Função Social em Monopólio Estatal?




A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) adotou um procedimento que, simultaneamente, lhe propiciou uma significativa economia e melhorou sua relação com a freguesia. O próprio técnico que faz a medição do consumo nas residências emite no mesmo momento a fatura a ser paga pelo cliente. Com isso, a concessionária de energia informa que já conseguiu poupar R$ 20 milhões neste ano somente com despesas postais.

A decisão da Celesc, porém, provocou um problema com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A estatal era responsável pela entrega das contas.

Depois que deixou de prestar o serviço para uma parte dos clientes da concessionária de energia, mudou o contrato e a forma de enviar as faturas para os cidadãos, que passaram a recebê-las com outras correspondências comuns. Moradores da zona rural agora têm de ir até uma agência dos Correios para saber quanto terão de pagar de conta de luz.

Quiproquó semelhante ocorreu em São Paulo, entre os Correios e a Sabesp, a concessionária de serviços de água e esgoto do estado, que também adotara o sistema de faturamento simultâneo à medição do consumo em vários bairros da capital paulista.

A estatal federal alegou que a entrega de contas também é monopólio dos Correios. A Sabesp não concordou. O caso foi parar na Justiça e muitos paulistanos ficaram sem receber a conta d'água por algum tempo.

Problemas dessa natureza demonstram como o monopólio pode ser nefasto. E também como pode ser usado como pretexto apenas para manter um privilégio comercial.

Qual a função social de um monopólio estatal que alega que o contrato com uma concessionária de energia não lhe é mais vantajoso e obriga o morador da zona rural a ter de se deslocar até uma agência postal para retirar sua conta de luz?

Seria muito bom para os cidadãos brasileiros e para os próprios Correios que se revisse essa embolorada reserva de mercado que em nada facilita a vida do consumidor.

Fonte: Brasil Econômico.

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