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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Imposto Afeta Mercado de Cartões Pré-Pagos


O aumento do imposto sobre operações financeiras (IOF) de 0,38% para 6,38% em cartões pré-pagos em moeda estrangeira no final de dezembro de 2013 afetou drasticamente esse segmento no primeiro semestre de 2014. O volume em cartões pré-pagos em moeda estrangeira caiu 69,9% no período entre janeiro e maio último para US$ 371,7 milhões, contra US$ 1,252 bilhão em igual período do ano passado, segundo dados do Banco Central (BC).

"O alarde sobre a cobrança do IOF foi tão grande em cartões de crédito e pré-pagos que o brasileiro migrou para o dinheiro estrangeiro em espécie e tornou-se alvo de furtos e assaltos em viagens internacionais", diz o CEO [chefe executivo de operações] da emissora de cartões pré-pagos Agillitas, Roger Ades.

De fato, o volume de moeda estrangeira em espécie cresceu 29,57% para US$ 4,063 bilhões em cinco meses fechados em maio último, ante US$ 3,136 bilhões em idêntico período de 2013, conforme dados do BC.

Na mesma comparação, o volume de câmbio movimentado em cartões de crédito à prazo caiu 3,33%, de US$ 1,252 bilhão para US$ 1,120 bilhão. E o montante movimentado em cartões de crédito à vista [pagos na próxima fatura] recuou 18%, de US$ 542,2 milhões para US$ 444,4 milhões.

"Se a medida como anunciada pelo governo era destinada a aumentar a arrecadação, na realidade, o aumento do IOF provocou uma redução do recolhimento não só em cartões pré-pagos, mas em cartões de crédito. Hoje o setor sofre com o temor que o governo faça uma taxação sobre a venda de moeda [estrangeira] em espécie, o que seria muito ruim pois poderia incentivar o mercado paralelo [ilegal]", alertou Ades.

Para contornar a queda brusca de 60% em seu segmento de cartões pré-pagos em moeda estrangeiras desde o aumento do IOF e minimizar as demissões que atingiram 80 funcionários, Ades contou que a Agillitas, empresa do mesmo grupo do Banco Rendimento, teve que desenvolver produtos corporativos pré-pagos em reais. "Crescemos entre 40% e 50% em cartões corporativos em reais nesse primeiro semestre. A projeção é crescer dois dígitos por ano nos próximos dez anos", diz.

Mesmo com essa estratégia, Ades prevê que a Agillitas deve fechar o ano de 2014 com R$ 1,3 bilhão em faturamento bruto, bem abaixo dos R$ 3 bilhões de receitas registradas no ano passado. "A Copa do Mundo ajudou um pouco. Vendemos 15 mil cartões Copa, sendo 5 mil para estrangeiros, o pacote incluía ingresso, hotel e o cartão", afirmou. A Agillitas é o fornecedor do Comitê Organizador Local (COL) da Fifa.

Do movimento em cartões pré-pagos em moeda estrangeira, Ades informou que entre 60% a 70% são negociados em dólar e os principais destinos turísticos são Orlando, Miami e Nova York, nos Estados Unidos. Entre 20% e 25% dos cartões são emitidos em euros, e o restante principalmente em dólares australianos, voltados para estudantes em intercâmbio. "O estudante não tem como levar dinheiro para todo o período de intercâmbio, por isso leva o pré-pago que pode ser recarregado pela internet. Temos convênios com 5 mil agências de turismo e intercâmbio", contou.

No segmento de cartões pré-pagos em reais, Ades denunciou que a principal dificuldade enfrentada pelo setor está na cobrança de tarifas dos grandes bancos de varejo para realizar saques em caixas eletrônicos. "Os bancos cobram R$ 5 por um saque com cartão pré-pago, mesmo que o cliente pague R$ 7 não há nenhum lucro, ainda é preciso custear a bandeira [a marca do cartão, ex. Visa ou MasterCard] e os impostos sobre serviços."

Ades apontou uma contradição no comportamento dos grandes bancos de varejo. "Para turistas estrangeiros, a mesma taxa fica em US$ 1 [R$ 2,20]. No mundo todo, essa taxa custa entre US$ 0,50 e US$ 1", comparou.

Fonte: DCI – SP.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Impostos Pagos no Brasil Pesam na Disputa com Vinhos Importados


As vendas dentro e fora do Brasil ainda são limitadas por deficiências na distribuição, reconhecem os produtores. Como a maioria das vinícolas são pequenas e dispõem de pouco capital, há dificuldade em levar produtos para mercados distantes ou abastecer grandes redes de supermercados no Sudeste, que concentra a grande massa de consumo.

Em muitos casos, as vinícolas menores, que plantam de 10 a 15 hectares, recorrem a importadores brasileiros para deslocar seus produtos até o centro do país. A exceção fica com vinícolas com amplas estruturas de distribuição, como Miolo, Casa Valduga, Aurora e Lídio Carraro. E as estantes remanescentes acabam recebendo vinhos chilenos e argentinos.

— Nos últimos anos, se investiu muito na produção. Agora, é preciso pensar no mercado, na distribuição — explica Felipe Bebber, enólogo da Casa Venturini, de Flores da Cunha.

A disputa com os importados também é prejudicada pelos impostos. Conforme Juarez Valduga, presidente da Casa Valduga e da Aprovale, a carga tributária ao setor chega a 57% do valor da garrafa. [1] Já um vinho importado pode pagar uma taxa de apenas 4%, dependendo dos incentivos que recebe em seu país. No Chile, os vinhos praticamente não pagam impostos, pois há compensação na compra de máquinas.

— Em alguns países da Europa, o vinho é considerado alimento, e a carga tributária fica bem abaixo da brasileira — explica Valduga.

Outro entrave para desarrolhar as vendas é o consumo per capita do país. Enquanto na França e na Itália cada pessoa consome de 20 a 30 litros por ano, no Brasil esse número é de 2,5 litros. [2] Sem mercado e na necessidade de esvaziar os estoques para a nova safra, muitas vinícolas freiam a produção ou acabam exportando vinho à granel ao Exterior, explica Valduga, faturando menos do que ganharia se vendessem em garrafas.

[1] Isso explica o porquê de nossos vinhos possuírem preços pouco competitivos. Garrafas de boas safras, fora do país, chegam à metade do preço que pagamos por vinhos de mesa aqui no Brasil.

[2] Isso é reflexo, também, do poder aquisitivo da população. Afinal, um bom vinho pode chegar ao valor de uma sexta-básica.

Fonte: Zero Hora.

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quarta-feira, 13 de março de 2013

''Curtir' Algo no Facebook Diz Muita Coisa Sobre Você



Um amplo estudo acadêmico acaba de revelar a crescente quantidade de informações pessoais que podem ser recolhidas por programas de computador que monitoram a maneira como as pessoas usam o Facebook.

Esses programas podem discernir informações privadas confidenciais, como as preferências sexuais dos usuários do Facebook, o uso de drogas e até mesmo se eles têm pais que se separaram quando eles eram jovens, mostra o estudo da Universidade de Cambridge.

Trata-se de um dos maiores estudos do tipo já feitos e nele a equipe de psicometria da universidade e um centro de pesquisas bancado pela Microsoft analisaram dados de 58 mil usuários do Facebook para prever características pessoais e outras informações que não foram fornecidas em seus perfis.

Os algoritmos foram 88% precisos na previsão da orientação sexual, 95% na previsão de raça e 80% no quesito inclinação religiosa e política. Tipos de personalidade e estabilidade emocional também foram previstos com exatidão que vai de 62% a 75%. O Facebook não quis comentar o assunto.

O estudo realça as preocupações crescentes com as redes sociais e como os registros de dados podem ser explorados em busca de informações sensíveis, mesmo quando as pessoas tentam manter em segredo informações sobre elas mesmas. Menos de 5% dos usuários prognosticados como gays, por exemplo, estavam ligados a grupos declaradamente gays.

Michael Kosinski, um dos autores do estudo, disse ao "FT" que as técnicas da universidade poderiam ser facilmente copiadas por empresas para deduzir atributos pessoais que uma pessoa não gostaria de revelar, como sua orientação sexual ou visão política: "Usamos métodos muito simples e genéricos. Empresas de marketing e da internet poderiam gastar muito mais tempo e recursos, conseguindo assim uma precisão muito maior que a obtida por nós".

Na semana passada, a União Europeia concordou em atenuar propostas de uma reorganização radical da regulamentação da privacidade de dados. A medida reflete a relutância do governo em obstruir companhias da internet com decisões que possam prejudicar o crescimento econômico, e segue-se a um forte lobby de companhias como o Facebook e o Google.

Os dados pessoais se tornaram um grande negócio. A Wonga, instituição financeira britânica que opera na internet, faz avaliações de crédito em segundos, com base em milhares de informações que incluem perfil no Facebook. A rede de supermercados Tesco começou neste mês a usar os históricos de compras dos clientes para vender propaganda online direcionada.

Kosinski disse que o estudo não foi elaborado para desencorajar o compartilhamento online: "Eu não desencorajaria as pessoas a evitar a tecnologia - até certo ponto, o leite já está derramado, e de qualquer maneira há muita informação sobre você circulando na internet. Eu sugeriria uma melhoria das configurações de privacidade".

Fonte: Valor Econômico.

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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Falhas na Contabilidade Colocam em Dúvida Modelo de Negócios da Groupon




Como presentes de Natal, alguns cupons de promoções pela internet podem ser tão populares quanto um par de meias. 

A Groupon, empresa líder entre os sites de compra coletiva que oferecem promoções pela internet, não estava preparada para a alta taxa de devoluções que registrou na temporada de Natal para ofertas mais caras, tais como cirurgia a laser para correção de miopia ou depilação a laser. Ela foi obrigada a revisar para baixo a receita e o lucro do quarto trimestre.

Os valores envolvidos foram significativos. A receita foi cortada em US$ 14,3 milhões, ou cerca de 3%. O prejuízo foi aumentado em US$ 22,6 milhões. Mas há outra grande preocupação para os acionistas — além do temor em relação à desaceleração do crescimento, a limitada oferta de ações sendo negociadas no mercado e um produto importante que não ganhou muita popularidade. A questão das devoluções indica que eles também precisam se preocupar com contabilidade da Groupon.

Na verdade, parece que a empresa vem crescendo tão depressa que seus sistemas de contabilidade não conseguem acompanhar. A firma que faz auditoria da Groupon, a Ernst & Young, citou uma "fraqueza substancial nos seus controles internos". À medida que os sistemas vão sendo atualizados, existe o risco de que outros problemas sejam descobertos.

As revisões implicam que o faturamento bruto da empresa — incluindo a cota que vai para as firmas que oferecem as promoções — cresceu a uma taxa de apenas 6% no quarto trimestre em comparação com o terceiro. Esse resultado ficou bem abaixo dos 25% de crescimento trimestre a trimestre no período anterior.

Outra preocupação é que o Groupon Now, produto que oferece promoções aos usuários em celulares ou tablets, não decolou. O produto deveria mostrar o valor da maior escala que a Groupon tem em relação às rivais.

O próximo bicho-papão que vem chegando é o vencimento do período de bloqueio no qual os funcionários da empresa não podem vender suas ações. O período vai expirar no início de maio. Considerando a limitada oferta de ações vendidas durante a oferta pública inicial, é possível que haja um grande excesso de vendedores para se enfrentar.

Fonte: The Wall Street Journal.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Bancos não Podem Cobrar para Receber Boleto, diz STJ


A cobrança de tarifa pelo recebimento de boleto bancário ou ficha de compensação é abusiva, segundo decisão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou recurso interposto pelo ABN Amro Real S/A (comprado pelo Santander) e pelo Banco do Nordeste do Brasil S/A (BNB) contra decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Segundo o STJ, esse tipo de tarifa constitui vantagem exagerada dos bancos em detrimento dos consumidores.

Acompanhando o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Quarta Turma reiterou que, como os serviços prestados pelo banco são remunerados pela tarifa interbancária, a cobrança de tarifa dos consumidores pelo pagamento com boleto ou ficha de compensação constitui "dupla remuneração" pelo mesmo serviço. Essa vantagem dos bancos fere o Código de Defesa do Consumidor (CDC).

No caso julgado, o Ministério Público do Maranhão ajuizou ação civil pública contra vários bancos que insistiam em cobrar indevidamente tarifa pelo recebimento de boletos e fichas de compensação em suas agências. Para o Ministério Público, a ilegalidade da prática já foi reconhecida pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por conta da existência de tarifa interbancária instituída exclusivamente para remunerar o banco recebedor.

Em primeira instância, os bancos foram proibidos de realizar tal cobrança, sob pena de multa diária de R$ 500,00 a cada cobrança, em favor de fundo público a ser indicado pelo Ministério Público. A sentença foi mantida pelo Tribunal de Justiça estadual.

Fonte: Portal Exame.

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