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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

CFC Critica Regra que Obriga a Fazer 2 Balanços


O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) considera um “retrocesso” a decisão da Receita Federal de obrigar as empresas brasileiras a ter duas contabilidades completas paralelas, uma societária e outra fiscal.

O posicionamento consta de comunicado assinado pelo presidente da entidade, Juarez Domingos Carneiro, divulgado há pouco.

A necessidade de se fazer, a partir de 2014, a Escrituração Contábil Fiscal, que será o novo balanço, de acordo com as regras contábeis vigentes até 2007, consta da Instrução Normativa 1.397 da Receita, publicada ontem no Diário Oficial da União.

No comunicado de hoje, o presidente do CFC pede a reabertura do diálogo com a Receita “para completo reestudo do conteúdo da Instrução Normativa, principalmente quanto às obrigações acessórias desnecessariamente adicionadas”.

Ao Valor, Carneiro chamou atenção para a surpresa com a publicação da IN, já que nos últimos anos tem havido um diálogo das empresas e dos contadores com a Receita, principalmente no âmbito do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), em que o órgão governamental participa como ouvinte.

Para o CFC, a necessidade de se entregar um balanço completo adicional cria um enorme ônus para as empresas, sem que haja benefícios em troca.

O órgão regulador da profissão de contabilidade também faz um alerta sobre a crescente “insegurança jurídica” caso o Fisco queira aplicar retroativamente (de 2008 a 2013) o entendimento explicitado na IN 1.379 sobre distribuição isenta de dividendos e sobre o pagamento de juros sobre capital próprio.

No documento, o Fisco deixa claro que só será isenta a distribuição de dividendos feita com base no “lucro fiscal”, apurado conforme legislação vigente até 2007, e não o lucro apurado no IFRS, como muitos entenderam que seria e alguns vinham distribuindo desde 2008.

A Receita Federal também diz que a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio será calculada pela incidência da Taxa de Juros de Longo Prazo sobre o “patrimônio líquido fiscal”, e não sobre o patrimônio contábil ajustado pela conta de ajustes de avaliação patrimonial, como prevê a Lei 11.941, que instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT).

Fonte: Valor online.

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Manutenção de Multa Adicional do FGTS é ‘Passo Atrás’


A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a manutenção do veto ao Projeto de Lei Complementar 200/2012, que pôs o fim do adicional de 10% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), é um "passo atrás no processo de racionalização do sistema tributário brasileiro". Em nota, a CNI afirma que "a decisão do Congresso Nacional de manter essa contribuição frustra os anseios do setor produtivo nacional de ver extinto um tributo criado para ser provisório e que cuja finalidade, a de salvar o FGTS da falência, foi integralmente cumprida ao longo dos últimos 12 anos".

De acordo com a CNI, a decisão do Congresso Nacional "frusta antigo anseio do setor produtivo do País". Na nota, a CNI argumenta que as empresas brasileiras cumpriram sua parte no grande acordo que resultou na criação do adicional de 10% do FGTS, em 2001. "Ao longo desses anos, o setor privado contribuiu com R$ 43 bilhões no esforço para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro do Fundo. Segundo notificou a Caixa Econômica Federal, gestora dos recursos do FGTS, isso ocorreu em julho de 2012", afirma a confederação.

Uma vez mantida a cobrança, a CNI estima que cerca de R$ 270 milhões continuarão a ser desembolsados a cada mês pelo setor privado. Isso representa fatia referente ao adicional de 10% do FGTS. "Caso o tributo tivesse sido extinto pelo Congresso Nacional, esses recursos poderiam ser revertidos em qualificação profissional, em inovação e em investimentos para a ampliação da capacidade produtiva", cita a nota da confederação.

A CNI ressalta que uma eventual extinção desta contribuição não causaria prejuízo aos direitos e garantias do trabalhador. Isso porque o PLP 200/2012, destaca a entidade, não elimina ou altera a multa recissória de 40% sobre o saldo do FGTS, também pago em caso de demissão sem justa causa, e que é pago ao empregado dispensado.

Vitória do governo

O governo conseguiu reeditar a vitória do mês passado e garantiu, ontem à noite, a manutenção de todos os vetos analisados na sessão conjunta do Congresso Nacional. Dessa forma, o Planalto viu preservado o veto ao fim da multa adicional de 10% sobre o FGTS nos casos de demissão sem justa causa, o mais importante dentre as sete matérias votadas. Caso este veto fosse rejeitado pelo Congresso, a União perderia mais de R$ 3 bilhões por ano, montante arrecadado com a cobrança extra e que a oposição acusa de ser usado para engordar o superávit primário. O resultado foi divulgado nesta madrugada pela Secretaria-Geral da Mesa do Senado Federal.

No total, os parlamentares analisaram ontem vetos a 95 dispositivos de sete matérias diferentes. Além do veto ao fim da arrecadação extra do FGTS, o Congresso manteve os vetos da Medida Provisória 610, publicada originalmente para ampliar o valor do benefício garantia-safra para a safra de 2011 e de 2012. Dentre os vetos confirmados pelos parlamentares a essa matéria, está o que impediu a prorrogação do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra) até o final de 2014.

Fonte: O Estadão.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Telexfree: Receita Federal Investiga Divulgadores


Investidores que receberam dinheiro de empresas acusadas de serem pirâmide financeira estão na mira da fiscalização da Receita Federal em Vitória. O órgão também investiga as finanças das companhias que dizem atuar no mercado de marketing multinível, no qual se destacam Telexfree e BBom.

Em nota, a Receita confirmou que associados e divulgadores dessas organizações estão sob investigação. No entanto, não detalhou o andamento das apurações porque “as informações relativas a elas são sigilosas”.

Em entrevista concedida para A GAZETA em 22 de fevereiro, o delegado-adjunto da Receita no Estado, Ivon Pontes, destacava que os investidores poderiam cair na malha fina. Todas as comissões e créditos recebidos por eles por meio dos negócios deveriam ser declarados ao Fisco. [1]

A Telexfree costumava destacar que o Imposto de Renda dos divulgadores era retido na fonte, antes do pagamento. Isso pode ter confundido associados, fazendo com que eles tenham deixado de entregar a declaração.

A declaração do Imposto deve ser feita se o rendimento anual superar R$ 24,5 mil. Auditores da Receita explicaram que nos cálculos deveriam ser somados os rendimentos salariais e os créditos obtidos com marketing multinível. Estima-se que muitos não tenham tido o cuidado e cairão na malha fina.

Natal

No Rio Grande do Norte, a Receita Federal já identificou associados de empresas suspeitas que não declararam Imposto de Renda. O chefe de fiscalização do Fisco em Natal, Manoel Delfim, explicou que eles poderão ser multados em 75% do valor não declarado.
Caso fique constatado que houve sonegação fiscal, eles poderão responder a ação penal.

“Estamos fazendo uma avaliação muito criteriosa. Já identificamos pessoas que não declararam. Elas serão fiscalizadas e, a princípio, não prejudicam em nada as empresas. Se a pessoa jurídica pagou o recurso, reteu na fonte e fez a declaração, não há problema nenhum”, ressaltou.

Surpresa com a dimensão que as empresas acusadas ganharam no Rio Grande do Norte, a Receita em Natal passou a investigar pessoas que participam dos negócios. São 200 investidores de oito empresas suspeitas que estão passando por um pente-fino do Fisco.

Entre os selecionados pelos auditores estão os que passaram a ostentar, em pouco tempo, veículos luxuosos e ganhos milionários. “Faziam questão de ostentar padrão de consumo que chamou a atenção. Trabalhamos com dados declarados pelo contribuinte e com os que levantamos em redes sociais, jornais e revistas. Nosso trabalho não é focado na empresa A ou B. É nas pessoas que receberam recursos e adquiriram carros de alto valor”, frisou Delfim.

Explosão

A estratégia adotada no Estado nordestino foi traçada após a constatação de que o crescimento das empresas ditas de marketing multinível ganhou proporções assustadoras. “Em Natal isso se transformou em febre. De casa para o trabalho passávamos por mais de 20 carros divulgando empresas de marketing multinível, das mais diversas. Isso começou a chamar a atenção”, disse o servidor.

Entre as empresas com crescimento avassalador no Estado estão a BBom e a Telexfree, considerada a maior pirâmide financeira da história do país. [2]

Segundo o chefe da fiscalização, a informação divulgada por algumas empresas sobre recolher os impostos antes de repassar os pagamentos aos associados também está sob análise da Receita potiguar. “É preciso saber se o desconto está correto e se a tabela aplicada está correta. As empresas podem ter aplicado a tabela de descontos errada. A gente tem que avaliar isso”.

Segredos

A Receita Federal nacional se manifestou em nota. Informou que não detalha para o público os procedimentos desenvolvidos no curso das ações fiscais que estejam em andamento, mesmo que não haja individualização do fiscalizado.

Da mesma forma, não torna públicos os seus procedimentos operacionais de execução das atividades de fiscalização e/ou de monitoramento de suas estratégias na gestão de risco das ilicitudes de natureza fisco-tributária.

[1] Como parece ser característico de quem procura este tipo de investimento, há uma tentativa de se ganhar dinheiro fácil e rápido, por isso não há de ser estranho identificar quem tenha tentado "bular" a tributação e não recolher os impostos. Já que aqueles que o defende dizem ser um investimento como qualquer outro, por que não recolher os impostos como qualquer outros?

[2] Há quem ainda diga que não é, mesmo não conseguindo provar o contrário.

Fonte: A GAZETA.

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Futebol e Bolsa de Valores


Se os maiores clubes do País estivessem na BM&FBovespa, eles teriam tamanho para competir no pregão com algumas das empresas que fizeram IPO nos últimos anos. O Corinthians, por exemplo, tem valor de mercado de R$ 1,1 bilhão, maior que o da varejista Magazine Luiza, de R$ 1 bilhão. Flamengo e São Paulo, cujos valores de mercado são, respectivamente, R$ 855 milhões e R$ 844 milhões, superariam a locadora de frotas Locamerica, de R$ 672 milhões. O Palmeiras também seria maior que a Unicasa, fabricante de móveis — R$ 496 milhões contra R$ 387 milhões. Os valores dos clubes foram levantados pela BDO RCS, empresa especializada em auditoria, e divulgados neste ano. Listar-se em bolsa, contudo, é um projeto aparentemente distante da agenda dos cartolas — um cenário bem diverso do que se observa em outras partes do mundo. [1]

Na Europa, 22 times de 11 países diferentes têm capital aberto. Há, inclusive, um índice para medir o desempenho dos papéis de clubes europeus — o Stoxx Europe Football. Um dos casos de sucesso é o do Borussia Dortmund, que entre 2011 e 2012 foi bicampeão alemão e neste ano, em maio, foi finalista da Liga dos Campeões, principal torneio interclubes do mundo. Exatamente nos meses em que o Borussia obteve bons resultados em campo, suas ações atingiram os maiores níveis de compra. Em maio, durante a campanha do vice-campeonato da Liga, o papel atingiu sua máxima histórica, chegando a € 3,13. Outro gigante europeu, o inglês Manchester United, tem ações negociadas na Nyse. Seu papel também disparou em maio, com o título de campeão inglês: foi de US$ 12, em novembro do ano passado, para US$ 19 — valorização de 58% no período. 

Se levarmos em conta que as cinco maiores torcidas do Brasil — Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco — têm, juntas, 95,3 milhões de pessoas, segundo o Ibope, e que o objetivo da BM&FBovespa é conseguir 5 milhões de pessoas físicas até 2018, não pareceria loucura tentar atrair esses times para o mercado acionário brasileiro. "O torcedor teria orgulho de dizer que é dono de um pedaço do time de coração", observa Eduardo Carlezzo, sócio do escritório Carlezzo Advogados Associados, especializado em negócios do esporte. Para os clubes, o mercado poderia ser uma fonte de credibilidade e, consequentemente, de capacidade de atrair parceiros interessados em fazer bons negócios — ampliando o poder de barganha para contratar bons jogadores e formar equipes competitivas. 

Os obstáculos que os clubes enfrentam para dar esse passo, no entanto, ainda são grandes. Em 2003, o Coritiba enviou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido de registro de companhia aberta concomitantemente a um pedido de distribuição pública de ações em mercado de balcão não organizado. A estratégia era passar a gestão do clube e do departamento de futebol para uma empresa, a Coritiba Futebol S.A. No entanto, a autarquia negou os pedidos, alegando irregularidades contábeis nos documentos apresentados. Dos R$ 51 milhões declarados como patrimônio da Coritiba S.A., mais de R$ 50 milhões eram referentes ao direito de uso da marca Coritiba Foot Ball Club, o nome oficial do clube. Esse valor foi descrito pela companhia como "patrimônio intangível gerado internamente" nas demonstrações financeiras, mas a CVM avaliou que esse tipo de intangível não poderia ser contabilizado. [2]

Atualmente, clubes contam com executivos do mercado em seus quadros. O próprio Coritiba tem, desde 2010, como presidente do board Vilson Ribeiro de Andrade, que já foi CEO do HSBC no Brasil. No Corinthians, o presidente da BDO, Raul Correa, é vice-presidente de finanças desde 2007. O cargo de vice de futebol do Flamengo é ocupado, desde o início de 2013, por Wallim Vasconcellos, ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esses profissionais, contudo, enfrentam a resistência de sistemas de governança estagnados. [3]

De maneira geral, os clubes brasileiros são geridos por sócios não remunerados que detêm o poder político da entidade. Trata-se de diretores e conselheiros eleitos para mandatos com tempo determinado pelo estatuto, mas que na prática ficam longos períodos em seus postos. Além disso, há a presença do chamado conselho de fiscalização ou consultivo, que vigia a responsabilidade da diretoria, veta ou aprova projetos e autoriza contratos e parcerias. Em geral, é formado por ex-presidentes e ex-diretores com mandato vitalício no órgão, que muitas vezes tomam decisões de forma conservadora, à luz do resguardo da tradição ética e histórica do clube. Para ir à bolsa, portanto, um dos primeiros desafios dos clubes é tornar sua gestão profissional — movimento que, na opinião de João Paulo de Jesus Lopes, professor de gestão de marketing esportivo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e vice-presidente do São Paulo Futebol Clube, enfrentaria resistência dos dirigentes atuais. "Seria um obstáculo de ordem política." 

Ampliar a transparência é outra necessidade. A Pluri Consultoria, especializada em negócios do esporte, produziu um levantamento do grau de abertura de informações dos 32 clubes de maior torcida do País. Entre os critérios utilizados no estudo, citam-se: publicação do balanço no site do time, publicação do parecer dos auditores independentes, periodicidade dos balanços, nível de disclosure das informações e política de governança. A conclusão é que os clubes brasileiros, em geral, ainda são tímidos no que se refere à divulgação de dados sobre governança corporativa. As cinco equipes mais bem colocadas no ranking foram Corinthians, Santos, Fluminense, Palmeiras e Coritiba, nessa ordem. O São Paulo, na nona colocação, se destacou como o time com melhor disclosure; o Santos, com o maior histórico de balanços disponíveis; o Palmeiras destoou com a melhor periodicidade (publica mensalmente); e o Corinthians, campeão do mundo, foi eleito o clube mais transparente do País. 

O alvinegro paulistano é o único clube do Brasil que publica um relatório de sustentabilidade para o mercado ao final de cada exercício, desde 2008. O documento possui quase 90 páginas e traz informações sobre estratégia esportiva e de negócios, gestão, marketing, desempenho econômico e responsabilidade social, além de demonstrações financeiras auditadas pela PricewaterhouseCoopers. Em 2010, o relatório anual do Corinthians foi finalista do Prêmio Abrasca de Relatório Anual, na categoria de organizações não empresariais, e ficou em quarto lugar. 

Raul Correa, vice de finanças do clube, destaca a guinada do Corinthians em direção às boas práticas de governança em 2008. Naquele ano, o ex—presidente Andrés Sanchez assumiu o lugar de Alberto Dualib, que renunciara em 2007 após 14 anos no cargo. "Passamos a estabelecer um diálogo muito claro com os stakeholders e com o mercado", explica. Entre 2008 e 2012, o Corinthians se tornou o clube com maior valor de mercado (R$ 1,1 bilhão) e receita do Brasil (R$ 358 milhões no ano passado, 300% superior à de 2008). Dentro de campo, no mesmo período, o alvinegro conquistou cinco títulos importantes, entre os quais o Campeonato Brasileiro, a Libertadores da América e o Mundial de Clubes. 

As dívidas também afastam os clubes da bolsa. Levantamento da BDO RCS revela que os 32 maiores times do País devem, no total, R$ 4,7 bilhões — um aumento de 77% em relação a cinco anos atrás. São obrigações fiscais, privadas e tributárias; estas últimas, isoladas, somam R$ 2,4 bilhões. Na opinião de Pedro Daniel, consultor de gestão esportiva da BDO RCS, não há como os clubes abrirem o capital com dívidas tão elevadas. "Embora você deixe os riscos claros dentro do prospecto, será muito difícil atrair investidores", afirma. O estudo indica que os mais endividados são Flamengo, Botafogo, Fluminense, Atlético Mineiro e Vasco — os cinco, juntos, devem cerca de R$ 2,6 bilhões. Entre eles, somente o Flamengo vale mais do que deve: tem valor de mercado de R$ 855 milhões e dívidas de R$ 741 milhões. Para Fábio Farina, sócio da auditoria Crowe Horwath, apenas com a quitação do saldo devedor os clubes passariam a ser atrativos para os investidores na bolsa, algo ainda distante. "Eles olhariam mais o fluxo de caixa do que o resultado dentro de campo", diz. 

O endividamento bancário, entretanto, vem diminuindo desde 2011. Segundo Daniel, da BDO, os bancos estão mais exigentes com a capacidade dos clubes de arcar com seus débitos, o que estimula as diretorias do futebol a serem mais responsáveis. "Está nascendo uma cultura de resultados consistentes e confiáveis dentro dos balanços", avalia. Como garantia para o pagamento das dívidas, os clubes costumam usar o dinheiro recebido na negociação de contratos de direitos de transmissão televisiva das suas partidas. Os bancos não aceitam, para esse fim, a receita obtida com bilheteria, que está sujeita ao ânimo do torcedor com o momento do time dentro de campo. 

Apesar da reduzida vocação para abrir o capital no Brasil, os clubes têm buscado formas de captar recursos publicamente. Vários desenvolvem programas de sócio—torcedor, em que o filiado paga uma quantia mensal em troca de ingressos garantidos para jogos e benefícios em promoções e ações de marketing do clube. Os times que mais arrecadam com esses programas anualmente são Cruzeiro (R$ 16,1 milhões) e Flamengo (R$ 12,5 milhões). As informações são do Movimento por um Futebol Melhor, organização que cataloga dados sobre futebol profissional no Brasil. "Uma equação equilibrada de direitos de transmissão, bilheteria e planos de sócio—torcedor daria vigor econômico aos clubes dentro da bolsa", comenta Lopes. 

Conforme a entidade, os dez maiores programas de sócio-torcedor dos clubes brasileiros têm 380 mil membros adimplentes, que pagam todo mês. Se todos eles investissem em ações desses times, representariam mais da metade do total de pessoas físicas registradas na BM&FBovespa: atualmente, cerca de 633 mil. Nada mal para uma bolsa que precisa de investidores e emissores para crescer. Muito menos para clubes que carecem de profissionalização. [4]

[1] Um dos problemas para essa listagem é a forma jurídica e tributária dos clubes. Muitos são isentos de tributação devido à sua atividade econômica. Para que pudessem pagar dividendos, ou distribuir lucros, que é um dos atrativos do mercado de capitais, ele teriam que mudar suas formas de tributação. Para clubes que já estão afundados em dívidas, ter um custo de abertura de capital (que já foi estimado em torno de R$ 100 milhões) parece ser algo inalcançável.

[2] Eis um dos problemas que devem ser enfrentados pelos times pois, conforme CPC 04, esse tipo de ativo não pode ser contabilizado. Clubes formadores de atletas tenderiam a ter menores ativos que clubes compradores de atletas.

[3] Há uma tendência nos clubes de profissionalização da gestão. O problema, muitas vezes, está na política do clube, formada por pessoas que estão há décadas nas entranhas da gestão, que sismam em não "largar o osso". Meu querido Palmeiras é um bom exemplo, entre tantos.

[4] Um entrave, talvez, seria que a grande maioria dos sócios dos clubes são associados por amor ao clube e outros para usar suas dependências e obter descontos em ingressos. Ao se tornarem investidores, mesmo considerando a falta de perfil e informação de alguns para isso, corre-se-ia o risco de os investidores optarem por empresas mais rentáveis. Já que estariam na bolsa, por que não ganhar mais dinheiro?

Fonte: Revista Capital Aberto.

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Probabilidade de Negociação com Informação Privilegiada


Recentemente tive um artigo escrito em parceria com o professor Edilson Paulo (UFPB) publicado na Revista Brasileira de Finanças (RBFin). O mesmo trata da utilização de informação privilegiada para negociação de ações no mercado de capitais. Para isso, é utilizado um modelo econômico-matemático para identificação dessa probabilidade.

A seguir, o resumo do trabalho.

A probabilidade de negociação com informação privilegiada no mercado acionário brasileiro
RBFin - Revista Brasileira de Finanças, vol. 11, n. 2, 2013

Autores:
Orleans Silva Martins (UFPB)
Edilson Paulo (UFPB)

Resumo:
Este artigo teve o objetivo de investigar a assimetria de informação existente na negociação de ações no mercado acionário brasileiro. Para isso, foi estimada a probabilidade de negociação com informação privilegiada (PIN) de 229 ações durante os anos de 2010 e 2011, por meio do modelo de Easley et al. (2002). Nos resultados, verificou-se que a PIN média dessas ações foi de 24,9%, o que sugere a existência de negociação informada nesse período. Considerando o segmento de governança corporativa, as ações listadas no Nível 2 apresentaram a menor PIN média (24,4%), enquanto as ações do Nível 1 a maior média (25,6%). Considerando as classes de ação, a PIN média das ON foi 24,2% e das PN foi 26,0%, indicando que ações com direito de voto apresentaram menor assimetria de informação. Ainda, verificou-se que a relação entre maior liquidez e menor PIN só foi confirmada para ações ON de alta liquidez.

Texto na íntegra AQUI.

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Profissional Contábil Está Entre os Dez mais Procurados


"A graduação em ciências contábeis prepara o profissional para coordenar e controlar registros financeiros, fornecendo informações precisas para a tomada de decisões. Além disso, ela oferece formação em finanças e estratégia em contabilidade, preparando o aluno para lidar com os padrões internacionais de contabilidade em vigor no mundo todo", afirma o coordenador do curso da Trevisan Escola de Negócios, Ricardo Cintra (foto abaixo).

Ele diz que o profissional pode ter atuação autônoma ou ocupar a posição de empresário da contabilidade. "Também pode atuar com auditoria independente ou interna e consultoria tributária. Controller, auditor fiscal e perito contábil, são funções totalmente apropriadas ao contador", diz.

Cintra conta que o contador pode atuar, ainda, como membro de conselho fiscal e de administração, árbitro em câmaras especializadas, membro de comitês de auditoria, ou membro de entidades de classe. "Atuação executiva e acadêmica são, também, possibilidades reais para o contador."

Segundo o coordenador, o mercado de trabalho está consolidado no mundo. "A profissão tem a quarta maior demanda no mundo e no Brasil ela é crescente, figurando entre as dez mais procuradas. "

Entre as características técnicas necessárias para ingressar na carreira, Cintra diz que é preciso gostar e ser capaz de trabalhar organizadamente, apreciar métodos quantitativos de análise e aplicações da matemática aos temas financeiros. Além de ter capacidade de interação multidisciplinar. "É preciso ter consciência de que a atualização constante é imprescindível, pois a regulamentação é abundante e sempre adaptada às necessidades."

A estudante do quarto semestre da Trevisan, Ellen Aparecida dos Santos, conta que é apaixonada pelo curso e acha incrível as diversas possibilidades de atuação que a profissão oferece. "Poder analisar a saúde financeira de uma empresa e ajudá-la a se manter saudável por meio de análises, faz meus olhos brilharem."

Atualmente, Ellen faz estágio na área de Impostos Indiretos da Goodyear do Brasil Produtos de Borracha Ltda. A estudante conta que o ambiente de trabalho é muito bom e que isso tem contribuído para o seu aprendizado.

"Nas rotinas mensais faço relatórios e planilhas para fechamentos de impostos como INSS Retido, PIS/COFINS-ST para gerar as obrigações acessórias para a Receita Federal", explica. A aluna diz que em alguns casos ajuda a fazer declarações como Siscoserv para a Receita, além de registrar pagamentos de impostos no banco.

Ellen afirma que depois de formada pretende fazer cursos de especialização. "Tenho interesse por várias áreas, mas algumas escolhas dependem de como a minha vida profissional vai se desenvolver nesses próximos dois anos de curso que estão por vir."

Além de se especializar na área, a estudante afirma que gosta muito de escrever e futuramente pretende escrever sobre contabilidade para algum veículo de comunicação. "Quero contribuir com a sociedade com material de qualidade."

ELLEN A. DOS SANTOS

ALUNA DA TREVISAN

Aos 19 anos a estudante está no quarto semestre e faz estágio na área de Impostos Indiretos da Goodyear do Brasil. No trabalho, faz relatórios e planilhas para fechamento de impostos. Ela diz que em alguns casos ajuda a fazer declarações como Siscoserv para a Receita, além de registrar pagamentos de impostos no banco.

Fonte: O Estadão.

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